‘Emergência climática’ é eleita a palavra do ano pelo dicionário Oxford

'Emergência climática' é eleita a palavra do ano pelo dicionário Oxford

Publicado pela primeira vez em 1884, o Oxford é um dos mais, se não, o mais famoso dicionário da Língua Inglesa, um equivalente ao nosso Aurélio, em Português. E anualmente, os editores do dicionário escolhem uma palavra que foi a mais procurada durante os últimos 12 meses. Em 2019, eles acabam de anunciar que ela é ‘emergência climática’.

Até bem pouco tempo, o termo mais utilizado era mudança climática, que se referia às alterações no clima do planeta devido ao aquecimento da superfície da Terra, provocado pelas atividades do homem, sobretudo, a queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás), responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa.

Todavia, este ano, cientistas do clima e principalmente, a ativista sueca Greta Thunberg, argumentaram que não devemos mais usar a expressão mudança climática, pois o que vivemos atualmente é uma ‘emergência climática’, já considerada o maior desafio enfrentado na história pela humanidade.

Este ano, Oxford fez uma pré-lista que incluía apenas palavras e expressões relacionadas ao meio ambiente: ação climática, negacionistas do clima (pessoas que não acreditam ou negam a existência do aquecimento global), extinção e vergonha de voar.

A escolha tem como objetivo destacar “uma palavra ou expressão mostrada, por meio de evidências de uso, que reflete o ethos, o humor ou as preocupações do ano que passou, e tem um potencial duradouro como termo de significado cultural”.

“Quando analisamos as evidências, ficou claro que questões relacionadas ao clima atravessavam todos os diferentes itens lexicais (conjunto de palavras, vocabulários) com os quais estávamos trabalhando”, afirmou Katherine Martin, editora do Oxford. “Isso reflete que era uma preocupação real do mundo de língua inglesa em 2019”.

Segundo apuração feita pelo Oxford, em setembro deste ano, o uso da frase ‘emergência climática’ foi 100 vezes mais comum do que em 2018. Ela superou todos os outros tipos de combinação com a palavra emergência (saúde, hospital, família etc.) “Estatisticamente falando, isso representa uma nova tendência no uso da palavra emergência”, explicaram os editores.

No começo de novembro, outro dicionário da Língua Inglesa, o Collins, criado em 1819, também uma referência mundial, anunciou que tinha escolhido ‘greve pelo clima’, como a palavra do ano. Apesar de a expressão ter ficado famosa por causa da greve iniciada por Greta, em frente ao Parlamento da Suécia, o termo já tinha sido usado em 2015, em manifestações ocorridas durante a realização da Conferência das Nações Unidas pelo Clima, em Paris.

Em maio deste ano, o jornal britânico The Guardian anunciou, em um editorial, que tinha decidido deixar de utilizar a expressão mudança climática em seus textos e substituí-la por ‘crise climática’ ou ‘emergência climática’, assim estaria sendo mais (leia mais aqui, no artigo em inglês).

“Queremos assegurar nossos leitores que estamos sendo precisos, cientificamente, ao mesmo tempo que levamos a eles uma comunicação clara sobre um assunto tão importante”, esclareceu na época, Katharine Viner, editoria chefe da publicação.

Em 2018, a palavra do ano do Oxford foi ‘tóxico’, associada, principalmente com ‘química’ ou ‘masculinidade’. A junção de masculinidade tóxica se deu por causa da onda de denúncias de assédio sexual que tomou a mídia, através do movimento #MeToo, e com ela, uma mais do que bem-vinda nova reflexão sobre o comportamento do homem na sociedade e em relação às mulheres.

*Com informações do New York Times

Foto: Colin Hattersley/ Friends of the Earth Scotland/Flickr

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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