Em um ano, desmatamento na Amazônia aumenta 16%

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Entre agosto de 2014 e julho deste ano, o desmatamento da Amazônia subiu 16%, comparado com o mesmo período entre 2013 e 2014. Foram derrubados 5.831 km² de floresta, ou seja, 819 km² de área desmatada a mais que no ano anterior. Quer saber quanto isso representa? Equivalente a cinco estados de São Paulo.

Esses dados foram divulgados ontem, 26/11, por Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente, com base no Prodes, sistema de monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que é o órgão que produz os dados oficiais de desmatamento todos os anos.

São três os Estados onde ocorreu a destruição das florestas:
Rondônia;
Mato Grosso, onde se deu a maior perda absoluta – 1.508 km² -, ou seja, um aumento de 40% em relação ao ano anterior que representa 1.075 km²; e
Amazonas, onde ocorreu o maior desmatamento – 54% -, passando de 684 km² para 963 km². Sobre este dado, a ministra comentou: “O mais estranho é que, lá, a maioria das propriedades é privada e os produtores estão mais comprometidos com o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Até parece que resolveram fazer desmatamento em série em várias áreas simultaneamente”.

Outra questão importante, levantada por Izabella é que esses Estados – além de não informarem quanto da perda de floresta é legal ou ilegal – receberam, juntos, R$ 220 milhões do Fundo Amazônia, justamente para implementar ações de combate ao desmatamento. “Me frustra muito saber que eles não cumpriram os compromissos que assumiram comigo. Amanhã, todos serão notificados”, desabafou.

Vale lembrar também que, o desmatamento da Amazônia é a principal causa de emissão de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil. E que, como contribuição à Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP21) – que começa na próxima segunda, em Paris, o governo assumiu a meta de zerar o desmatamento ilegal nesse bioma, até 2030. E mais: protegidos pelo Código Florestal, qualquer proprietário de terras na Amazônia pode derrubar 20% de floresta que estejam nelas.

Mesmo com números tão preocupantes – ainda mais se levarmos em conta que vivemos um período de recessão econômica -, Izabella fez questão de comentar que, este, é o terceiro menor desmatamento da história, ficando atrás das taxas de 2012 (4.571 km²) e de 2014. O fato é que as ações do governo não têm apresentado bons resultados, o que ameaça o cumprimento da meta a que se propôs: baixar a perda florestal até 3.825 km²/ano. É bom lembrar que, no período de dez anos, foi registrada queda de 80%.

E ainda há mais uma promessa da qual não podemos esquecer: em setembro deste ano, em discurso na sede das Nações Unidas, a presidenta Dilma Roussef se comprometeu a zerar o desmatamento até 2030. Do jeito que vai, será mesmo possível cumprir essa meta? Com a visão do copo pela metade, mas cheio, eu diria que esta talvez seja uma boa oportunidade para o governo adotar uma postura enérgica e ativa, de fato. E parar de se lamentar e se frustrar com os dados, apenas. Parar com tanto mimimi.

Foto: Gabriel Mestro / Creative Commons

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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