Em risco de extinção, animais enfrentam incêndios devastadores em Kangaroo Island, na Austrália

Em risco de extinção, espécies de animais enfrentam incêndios devastadores na Kangaroo Island, na Austrália

A Kangaroo Island – Ilha dos Cangurus, na tradução para o português -, fica localizada ao sudoeste da cidade de Adelaide, na Austrália. Mais de 1/3 dela é protegida por reservas naturais, lar de animais selvagens nativos, como leões-marinhos, coalas e diversas espécies de aves. Por esta razão, a ilha também é conhecida como “Arca de Noé”.

Muitos dos bichos que vivem ali estão ameaçados de extinção, como os próprios coalas, mas também, o dunnard (Sminthopsis dolichura), pequeno marsupial, do tamanho de um rato, e uma subespécie de cacatua, a glossy-black-cockatoo (Calyptorhynchus lathami).

Assim como o resto da Austrália, nas últimas semanas, a Ilha dos Cangurus foi devastada pelos incêndios florestais. 155 mil hectares de vegetação foram destruídos pelo fogo, cerca de 1/3 de sua área total.

Em risco de extinção, animais enfrentam incêndios devastadores na Kangaroo Island, na Austrália

O pequeno marsupial, dunnard, em risco de extinção

“Uma tempestade, na sexta-feira 20 de dezembro, iniciou vários incêndios na costa norte da Kangaroo Island, sob condições catastróficas. O fogo queimou rápido… A área é um habitat crítico para várias espécies em risco de extinção, como o dunnart, o bandicoot (outro tipo de marsupial), o heath goanna (espécie de lagarto) e o equidna-de-focinho-curto”, escreveu a Kangaroo Island Land for Wildlife, organização ambiental local, em sua página no Facebook.

Anos de trabalho de conservação perdidos

Extinta na parte continental da Austrália, a cacatua-preta-brilhante tem a ilha como seu último refúgio. Em 1995, a população da espécie era de 158 indivíduos. Graças a esforços de recuperação e conservação, o último censo, realizado em 2016, indicou um aumento no número para 373 aves. Depois dos incêndios, não se sabe quantas sobreviveram.

“Tivemos boas épocas de reprodução em 2017 e 2018, então estimo que podem haver até 400 cacatuas. Antes dos incêndios”, afirmou Daniella Teixeira, pesquisadora da Universidade de Queensland, especializada em aves, em entrevista ao Conexão Planeta.

Em risco de extinção, espécies de animais enfrentam incêndios devastadores na Kangaroo Island, na Austrália

A cacatua-preta-brilhante: antes dos incêndios na ilha,
eram cerca de 400 indivíduos

A tragédia ocorre justamente na época de reprodução das aves. Biólogos explicam que, com ovos nos ninhos, muitas cacatuas talvez não tenham deixado os filhotes para trás e acabaram morrendo.

“O que sabemos no momento é que importantes locais de procriação e alimentação foram perdidos no noroeste da ilha. São algumas áreas de importância crítica e, sem dúvida, isso afetará a reprodução da espécie neste ano”, contou Daniella.

“Agora estamos tentando descobrir a dimensão exata do impacto. Como a população é muito pequena, qualquer perda de aves e habitat pode ser devastadora”, lamentou.

Infelizmente, os incêndios em Kangaroo Island ainda não foram controlados. E segundo a pesquisadora australiana, há previsão de mais fogo para a região nesta quarta.

“Estamos muito preocupados porque a população da cacatua-preta-brilhante é muito pequena e isolada. Eventos como esse têm o potencial de eliminar toda a subespécie. Décadas de trabalho de conservação foram perdidos ao longo de alguns dias”, ressalta a cientista.

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Fotos: reprodução Facebook Authentic Kangaroo Island/ @sonnyroyalphoto (cacatua), Paolo Valassi (coalas), Nikki Redman Photos (cangurus) e Kangaroo Island Land for Wildlife (dunnard)  

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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