Em Poconé, Festa dos Mascarados, natureza incrível e… micuins


Fui para Poconé, uma pequena cidade no interior do Mato Grosso, para conhecer uma celebração folclórica que faz parte da Festa do Divino e é bem típica dessa região: a Noite da Iluminação, quando acontece a tradicional Dança dos Mascarados.

Cerca de 20 homens usam máscaras, roupas de chitão estampado e chapéus que levam espelhos e outros adereços e se alinham para dançar em frente à Igreja Matriz, onde é montado o Arco da Iluminação.

Eles vêm homenagear a São Benedito: metade deles vestidos de homens – os galãs – e a outra metade vestidos de mulheres – as damas.

A música animada tem ritmos que misturam a valsa aos batuques africanos. O grupo dança sem parar, com seus trejeitos e rebolados engraçados. Muito animadas, as damas agitam suas saias o tempo todo. Os galãs fazem reverências e interagem com elas em passos bem ensaiados. Todos executam 12 coreografias diferentes em cerca de 2 horas de apresentação.

Suas máscaras de tela de arame e massa, pintadas de cinza no caso dos galãs ou de rosa no caso das damas, dão um aspecto divertido aos personagens. As roupas, sempre brilhantes, confeccionadas por eles mesmos, demonstram o orgulho que existe em fazer parte do grupo.

A brincadeira é extenuante e, por isso mesmo, os meninos aprendem a dançar ainda bem novinhos, numa tradição passada de pai para filho. São poucos os que aguentam o desafio, o que só aumenta o orgulho de poder fazer parte da brincadeira.

Mas os mascarados dançam por apenas 2 horas. Como eu vim de muito longe e essa cidade é a entrada da maravilhosa região conhecida como Pantanal Norte, resolvi aproveitar para passar mais dois dias curtindo as belezas dessa região.

Fiz um passeio de barco, andei a cavalo e a pé. Tive a oportunidade de observar a fauna e a flora locais por ângulos diferentes e, com isso, curtir aquela integração com a natureza de forma integral.

O que eu trouxe dessa experiência no Mato Grosso? Lindas fotos da festa dos mascarados, lindas recordações desse bioma incrível e… 186 carrapatos!

Pois é, descobri que esse é um dos riscos de fazer um passeio a pé pelo mato na época de seca! Devo ter esbarrado em alguma folha onde eles estavam fazendo ninho… Depois cheguei cansada ao hotel e joguei a roupa sobre a cama, onde eles se espalharam. Voltei pra São Paulo na companhia de 186 micuins e, mesmo depois de me livrar deles, ainda passei mais um mês com uma coceira que não me deixava esquecer da experiência!

Desde 2014, se dedica à pesquisa e ao registro fotográfico das festas populares por todo o país. E, assim, viaja de norte a sul para conhecer e gravar em imagens o mundo mágico das celebrações, que explodem em cores, simbolismos, histórias e fantasias. Aqui, conta sobre as festas e histórias inusitadas vividas em suas andanças. No site Festas Brasileiras, reúne toda beleza e riqueza desse trabalho

Andrea Goldschmidt

Desde 2014, se dedica à pesquisa e ao registro fotográfico das festas populares por todo o país. E, assim, viaja de norte a sul para conhecer e gravar em imagens o mundo mágico das celebrações, que explodem em cores, simbolismos, histórias e fantasias. Aqui, conta sobre as festas e histórias inusitadas vividas em suas andanças. No site Festas Brasileiras, reúne toda beleza e riqueza desse trabalho

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