Em nota pública, Barack Obama convoca americanos à mobilização pelo clima

Barack Obama

Em raro pronunciamento depois de ter deixado a Casa Branca, no início deste ano, o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, veio à público, esta tarde, para lamentar a saída de seu país do Acordo do Clima de Paris, anunciado pelo atual presidente. Depois de fazer disto promessa de campanha e ameaçar o mesmo por diversas vezes, Donald Trump declarou hoje que a maior economia do mundo está abandonando o acordo internacional.

Obama foi um dos principais articuladores para que, em dezembro do ano passado, na França, 195 nações assinassem um documento em que se comprometiam, em níveis diferentes, a reduzir as emissões de gases de efeito estufa e desta maneira, tentar frear o aquecimento global e seus desastrosos efeitos sobre o planeta. O objetivo era fazer com que a temperatura média da superfície terrestre não fosse elevada a mais do 1,5 graus, em comparação aos níveis da época pré-industrial.

Mas, Donald Trump, que diz não acreditar em aquecimento global, sobretudo se provocado pelas ações do homem na Terra, afirmou hoje que tentará renegociar os termos para “conseguir um acordo melhor para os Estados Unidos”. Caso não consiga, disse que não haverá problema.

Abaixo, segue a tradução do texto divulgado por Barack Obama:

“Há um ano e meio, o mundo se reuniu em Paris, em torno do primeiro acordo global para colocar o mundo no curso de uma economia de baixo carbono e proteger o planeta que deixaremos para nossos filhos.

Foi uma liderança americana estável e de princípios, no cenário mundial, que tornou possível essa conquista. Foi uma ambição audaz americana que encorajou dezenas de outras nações a definirem suas metas também. E o que tornou possível essa liderança e ambição foram a inovação do setor privado e o investimento público dos Estados Unidos em indústrias que só crescem, como a eólica e a solar -, que criaram alguns dos mais rápidos fluxos de empregos bem remunerados nos últimos anos e contribuíram para a mais longa série de criação de postos de trabalho da nossa história.

Simplificando, o setor privado já escolheu um futuro de baixo carbono. E para as nações que se comprometeram com este futuro, o Acordo de Paris criou oportunidades para empresas, cientistas e engenheiros deslancharem investimentos e inovações de alta tecnologia e baixo carbono em uma escala sem precedentes.

As nações que permanecem no Acordo de Paris serão as nações que colherão os benefícios dos empregos e indústrias criados. Eu acredito que os Estados Unidos da América devem estar na frente deste grupo. Mas mesmo na ausência de uma liderança americana, mesmo quando esta administração se junta a um pequeno punhado de nações que rejeitam o futuro, estou confiante de que nossos estados, cidades e empresas vão se fortalecer e fazer ainda mais para liderar o caminho e ajudar a proteger para as gerações futuras o único planeta que temos”.


Foto: reprodução Facebook Barack Obama

 

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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