Em Minas Gerais, economia solidária registra crescimento de 2.800% em 30 anos

O Observatório do Trabalho da Secretaria de Estado do Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese), de Minas Gerais, divulgou recentemente que a economia solidária (EcoSol) teve crescimento de mais de 2.800% no estado nos trinta últimos anos, saltando de 51 empreendimentos econômicos solidários (EES) em 1986 para 1.529 em 2016. Entre 2007 a 2016, houve uma ampliação de 807 empreendimentos. E a expansão continua: hoje, já são 1.588 EES.

Em tempos de crise financeira e precarização do trabalho, a economia solidária mostra-se cada vez mais como alternativa. Historicamente, é nesse contexto que ela avança em maior proporção no país.

O levantamento do Observatório aponta que o maior número de EES em Minas vem do setor de artesanato (623), seguido pela agricultura familiar (459), alimentação (206), serviços (78), confecção (63), catadores de material reciclável (51) e cultura (14).

Na distribuição por território, a Região Metropolitana e Belo Horizonte registram a maior parcela de negócios solidários (454), seguida por Vertentes (165) e Norte (157).

No ranking municipal em número de empreendimentos, a capital aparece no topo, com 237, seguida por Contagem (54), Uberlândia (43), Uberaba (28), Barbacena (26), Juiz de Fora (25), Varginha (20) e Betim (19).

A chamada Política de Fomento à Economia Popular Solidária em Minas Gerais foi instituída pela Lei 15.028/04, regulamentada quatro anos depois pelo decreto 44.898. Somente em 2015 foi criado o Plano Estadual de Economia Popular Solidária, garantindo finalmente a destinação de recursos específicos para o segmento dentro do Plano Plurianual de Ação Governamental.

Segundo o governo mineiro, como parte da estratégia de implementação dessa política, em 2017 foram criados 24 espaços de comercialização para os EES. Na Cidade Administrativa, sede do governo, funciona um ponto fixo de comercialização, que beneficiou 720 EES no ano passado, movimentando cerca de R$ 570 mil em mercadorias. E até julho deste ano, a Sedese, em parceria com o Conselho Gestor da Economia Popular Solidária e o Fórum Mineiro de Economia Popular Solidária, espera qualificar 660 negócios em 33 municípios do estado.

De fato, a ampliação do número de EES veio após a criação da Política de Fomento à EcoSol no estado.

Três empreendimentos mineiros de destaque

Estão neste grupo empreendimentos como o Bar Suricato – sobre o qual já escrevi aqui, no Conexão Planeta -, a Coopersoli e a Coonarte.

O Suricato, bar localizado na zona oeste de Belo Horizonte, promove geração de trabalho e renda para usuários da Rede de Saúde Mental da capital mineira. Cozinheiros e cozinheiras, recepcionistas, garçons e artistas que movimentam o empreendimento se tratam de algum quadro de sofrimento mental. Mais de 50 postos de trabalho são gerados pelo Suricato, contando os núcleos de trabalho que produzem arte. A associação existe há 13 anos.

Já a Coopersoli é uma cooperativa de recicladores e grupos produtivos da comunidade de Barreiro e região, também localizada em Belo Horizonte. A iniciativa contou com apoio da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, que cedeu espaço do galpão em regime de permissão de uso e promoveu parte da capacitação básica em cooperativismo e informática. O galpão de triagem de materiais recicláveis funciona desde 2003 e incorporou cooperados de outras comunidades: Vila Corumbiara, Vila Independência, Conjunto Conquista da União e Jatobá IV. A Cooperativa conta, ainda, com o apoio da população, empresas e escolas para o incremento da coleta seletiva.

Atuando em outro ramo, a Coonarte é uma cooperativa de costureiras, também apoiada pela Prefeitura de Belo Horizonte, que trabalha com reaproveitamento de retalhos, aparas de couro e outros tecidos, contribuindo para a preservação do meio ambiente por meio da reutilização desses materiais. É composta por mais de 20 cooperadas e permanece em funcionamento desde 1998.

A riqueza e a diversidade do trabalho autogestionário desenvolvido pelos empreendimentos de economia solidária, em suas diversas áreas de atuação, mostram-se cada vez mais sólidas e fundamentais no processo de inclusão pelo trabalho e geração de renda, em todo o país. A criação e a implementação de políticas públicas que auxiliem no desenvolvimento e na manutenção desta economia nos territórios são mais do que bem-vindas. São absolutamente necessárias nestes tempos de precarização de trabalho e crise.

Foto: Eric Ward/Unsplash

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

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