Em dois anos, Lisboa reduz pela metade a presença dos moradores de rua, com programas alternativos

É só andar um pouco pelas ruas de qualquer cidade grande no Brasil pra notar a presença cada vez maior de ‘moradores de rua’ ou ‘sem teto’. Por isso, no caso de São Paulo, é imprescindível apoiar iniciativas como SP Invisível, Entrega por SP, Minha Sampa, Anjos da Noite e outras tantas que fazem trabalhos de muita potência amorosa. São coletivos que levam alimento, roupas e outros itens para quem vive nas ruas, além de um pouco de atenção e conversa. E sem nenhum apoio público.

Aliás, tudo que o ‘prefeito gestor’ Doria tem feito, desde que assumiu, em 2017, é tentar banir essa situação das ruas com violência; também tirando o pouco que essas pessoas têm. Ao contrário do que acontece em Lisboa, Portugal, como soube hoje: a capital lusitana tem reduzido a população de rua com programas alternativos. Que beleza!

Amei a notícia e ainda morri de inveja porque, lá, o exemplo vem de cima: o presidente português, Marcelo Rebelo, é ativista e engajado nessa causa. Como contam os autores do blog Morar em Portugal em um de seus posts, em novembro, ele passou uma noite fria visitando instituições, “para levar alimento e conversar com os menos favorecidos”. Com um detalhe: Rebelo, que é conhecido por sua bondade, nesse dia, ajudou a fazer a comida que depois distribuiu com carinho. Alguém aí consegue imaginar nosso presidente golpista assim? Quem não tem empatia, não se estabelece.

O fato é que, desde 2015, Lisboa vem investindo em novos modelos de assistência e já reduziu essa população pela metade – cerca de 47% -, ou seja, tirou muita gente das ruas, dando-lhes oportunidade de recuperar sua dignidade. Segundo dados do Núcleo de Planejamento e Intervenção Sem Abrigo (NPISA) da Câmara Municipal (seria a nossa prefeitura) – revelados pela reportagem da Folha de São Paulo -, de 629 pessoas sem teto, há dois anos, apenas 334 ainda estão vivendo nas ruas. Nossa! São Paulo deve ter, pelo menos, 2 mil pessoas nessa situação.

O programa que contribuiu para mudar a realidade das ruas de Lisboa – É Uma Casa, da ONG Crescer – aluga apartamentos mobiliados em prédios residenciais de Lisboa, onde vão morar os sem teto, sob a orientação de um tutor. As visitas são semanais, mas não são policialescas: não é proibido, por exemplo, ingerir álcool, mas os atendidos recebem orientações sobre seu uso, de acordo com o histórico de cada um.

Hoje, há 30 pessoas atendidas por esse programa – até o final do ano esse número pode chegar a 90! -, a maioria com até 30 anos de vivência nas ruas e histórico de envolvimento com bebida, drogas ou problemas psiquiátricos. Na verdade, estes são os principais motivos que levam as pessoas – de qualquer lugar do planeta – a morar nas ruas, seguido pela perda do emprego.

O programa tem por base a ideia de que, a partir de um lar, essas pessoas iniciam o resgate da dignidade, da confiança e da autonomia. Se sentem cidadãos novamente. Imagine como deve ser difícil se comunicar ou procurar emprego vivendo nas ruas, sujo, ou morando num albergue… Essa condição só serve para perpetuar a miséria e a invisibilidade.

O sucesso de um projeto como esse, geralmente é medido pela permanência de quem é atendido. Até agora, a taxa é bem boa: 87%. Vale conhecer este e outros projetos da ONG Crescer, em seu site.

Este é um belíssimo exemplo que poderia ser replicado em qualquer lugar do planeta. Aqui também, no Brasil, em São Paulo… mas, com a administração atual da capital paulistana, o melhor a fazer é apoiar iniciativas como as que comentei no início deste texto. Com dinheiro, com tempo, com doação de objetos, roupas, do jeito que cada um puder.

No ano passado, o Minha Sampa escreveu sobre 12 iniciativas que cuidam de pessoas em situação de rua. São 12 apenas – devem existir outras tantas com a mesma competência -, mas vale a leitura.

Se você tem Facebook ou Instagram, siga estas iniciativas:
– SP Invisível: Facebook e Instagram
– Entrega por SP: Facebook
– Anjos da Noite: Facebook e Instagram
– Minha Sampa: Facebook e Instagram

Se conhecer outros projetos que vale divulgar, indique nos comentários abaixo.

Foto: Davidson Luna/Unsplash 

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Um comentário em “Em dois anos, Lisboa reduz pela metade a presença dos moradores de rua, com programas alternativos

  • 28 de março de 2018 em 5:37 PM
    Permalink

    Há, também, o Instituto Mudavidas, que atua na recolocação no mercado de trabalho de pessoas em situação de rua. ​
    Website: http://mudavidas.org
    Face: Instituto Mudavidas
    Instagram: institutomudavidas
    Twitter: @Inst_MudaVidas

    Obrigada!

    Resposta

Deixe uma resposta