Em apenas uma semana, #33DiasSemMachismo se espalhou pelo Brasil e América Latina

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Nada tem sido mais difícil do que tentar conversar sobre o que é o movimento feminista. No ambiente virtual, onde as pessoas esbravejam suas opiniões sem saber exatamente sobre o que está sendo discutido, fica ainda mais difícil abrir espaço para o diálogo e para a troca de ideias.

Depois da notícia de um estupro coletivo liderado por 33 homens, ouviu-se de tudo um pouco e entre os discursos rasos, odiosos e nada empáticos, mostrou-se clara a importância de falar sobre isso, mas com a profundidade necessária para justificar uma mudança de cultura.

E foi da conversa despretensiosa entre amigos da pós graduação em Inovação Social do Amani Institute, que nos demos conta de que era hora de arregaçar as mangas e contribuir para essa mudança. Pois então, nos reunimos em torno de uma ideia simples: propor uma revisão dos hábitos machistas que norteiam nossos comportamentos e relações. E assim nasceu a campanha #33DiasSemMachismo.

Há pesquisas que indicam que 21 dias costumam ser suficientes para mudar um hábito. Há quem deixe de fumar, de beber, de comer fritura. O nosso convite é para deixarmos de ser machistas, com o suporte de desafios diários publicados ao longo de 33 dias.

Após uma semana de existência, 10 desafios publicados e mais de dois milhões de pessoas alcançadas no Facebook, percebemos como é delicado e necessário falar sobre feminismo, o lugar das mulheres e o papel dos homens na desconstrução de estereótipos de gênero.

Recebemos mensagens de mulheres e homens de toda parte do Brasil e da América Latina. Ganhamos adesões voluntárias do Uber, que passou a compartilhar os desafios diários com seus motoristas, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo e de diversos restaurantes e escolas que passaram a imprimir e expor os desafios em espaços públicos. #33DiasSemMachismo virou conversa de bar, de família, DR e até trabalho escolar. Tudo isso de maneira orgânica, colaborativa e voluntária.

Não há dinheiro envolvido, não há um líder do movimento, não há embate de egos e vaidade. O que existe é um coletivo horizontal formado por corações inquietos para mudar um tiquinho de tudo aquilo que precisa ser mudado no mundo. Cada um de nós – somos seis: cinco mulheres e um homem – já vive mergulhado em seus respectivos projetos, empresas e organizações. O Think Twice Brasil – que eu e Fê criamos em 2014 – é uma delas ao lado de A Casa Imaginária, Sementeira Inovação Social e Desenvolvimento, Vivejar/Raízes Desenvolvimento Sustentável, Vilynda e do Marialab.

Ainda assim, encontramos energia para, juntos, pensar, cocriar e implementar uma campanha que foi idealizada e concebida em dois dias com o propósito de desafiar as pessoas por uma transformação social. Pequena e singela, mas um dos primeiros grandes passos para uma reflexão coletiva e uma revisão profunda do senso comum.

Empatia, amor, respeito e gentileza são alguns dos princípios que têm nos guiado. Não só entre nós, que estamos nos bastidores, mas sobretudo entre quem aderiu ao movimento e tem se proposto diariamente a ser uma pessoa mais consciente.

Ainda nos restam 23 dias pela frente para dialogar, refletir e se desafiar. Enquanto isso, sigo acreditando no poder da informação, da intenção e da força coletiva. Afinal, “se quiser ir rápido, vá sozinho. Mas se quiser ir longe, vá junto”.

E é isso que estamos fazendo. Seguindo juntos.

PS: Um obrigada especial ao Conexão Planeta por ser um dos primeiros apoiadores do #33DiasSemMachismo!

Leia também:
O que rolou nos primeiros dez dias dos #33DiasSemMachismo

Foto: Manifestação na Avenida Paulista, no dia 1/6, por Felipe Brescancini

Gabriele Garcia

Sonhadora, feminista e apaixonada por pessoas e histórias. Trabalhou por dez anos como advogada e em 2014 deixou o escritório para empreender o Think Twice Brasil, cujo primeiro projeto – Experiência de Empatia – foi uma viagem de 400 dias por 40 países para se aprofundar no aprendizado e identificação de soluções para desigualdade social e de gênero. De volta ao Brasil, está à frente do Instituto Think Twice Brasil e de projetos ligados à justiça social e de gênero.

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