Em apenas um ano, Israel reduz pela metade o descarte de sacolas plásticas em seu litoral

Em apenas um ano, Israel reduz em 50% o descarte de sacolas plásticas em seu litoral

Israel é a mais nova prova de que quando há vontade e firmeza de propósito por parte dos governantes existe solução para tudo! Em janeiro de 2017 entrou em vigor no país uma lei que determinou a cobrança pela distribuição de sacolas plásticas no comércio.

Apesar do valor ser baixo, cerca de 10 centavos de real, em apenas um ano, os supermercados registraram uma redução de 80% no consumo de sacolas e um monitoramento revelou que o descarte das mesmas no mar caiu pela metade.

“Isso é um sucesso para os padrões internacionais. Estou orgulhoso que a população israelense tenha entendido a importância de diminuir o descarte de sacolas plásticas e mudado seu comportamento tão rapidamente”, afirmou Zeev Elkin, ministro da Proteção Ambiental.

Segundo a lei israelense, a cobrança têm que ser feita por todos os supermercados e ficou proibida a comercialização de sacolas muito finas, com menos de 20 microns (um micron é a milésima parte de um milímetro).

O dinheiro arrecadado pelas lojas com a venda das sacolas é todo destinado a um fundo do Ministério do Meio Ambiente para projetos com o objetivo de reduzir a poluição ambiental, assim como promover campanhas de conscientização da população.

O governo do país estima que, por ano, os israelenses utilizavam cerca de 2,7 bilhões de sacolas plásticas. ¼ delas era jogada no lixo imediatamente após seu uso.

A lei faz parte de um plano de sustentabilidade mais amplo, implantado pelo governo de Israel, com ajuda da iniciativa SwitchMed, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

A Era do Plasticídio

Até 2050, cientistas afirmam que quase todas as aves marinhas terão plástico em seus organismos. Não escaparão nem as mais remotas comunidades de pinguins da Antártica ou albatrozes nascidos em ilhas e rochedos remotos. A previsão é de pesquisadores da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organization (Csiro), da Austrália, e do Imperial College de Londres, da Inglaterra.
Outro estudo, realizado no final do ano passado, revelou ainda que fibras plásticas estão presentes na água que o mundo inteiro bebe, inclusive, o Brasil.

Mas diversos países, assim como Israel, já se deram conta de que é preciso dar um basta nesta situação. Em toda a Europa, há um movimento forte para banir o plástico de um uso só – como canudos, colheres de café, talheres e embalagens. Como mostramos aqui neste outro post, em janeiro, a União Europeia tem um plano para ‘limpar’ o continente dessa ‘praga’ até 2030, permitindo apenas o consumo de plásticos reutilizáveis ou recicláveis e, consequentemente, reduzindo ou zerando os resíduos desse material.

Anualmente, os europeus descartam 25 milhões de toneladas de resíduos plásticos, sendo que menos de 30% é coletado para reciclagem.

Em novembro, divulgamos no Conexão Planeta também, como o Chile se tornou o primeiro país da América Latina a proibir uso de sacolas plásticas.

Enquanto isso, estamos esperando o governo brasileiro tomar alguma iniciativa. Precisamos pressionar nossos representantes. Vamos lá?

*Com informações do The Jerusalem Post e da UN Environment 

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Foto: domínio público/pixabay

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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