A Rainha do Papel de Bala está precisando de ajuda

 Efigênia Rolim

Não se nasce à toa no Dia da Árvore. Como não haveria de querer salvá-las? Efigênia Rolim completa 86 anos no próximo dia 21 de setembro. O que pensar de alguém que encontra tesouro em papel de bala? Esta história é conhecida em Curitiba, onde mora.

Um dia, ela estava andando no centro, e viu algo jogado chão, brilhando ao sol. Achou que era uma joia. Era um papel de bala de hortelã. Ficou encantada. Desde então, os papeis de bala e tudo que é material que poderia estar no lixo, passaram a virar obras de arte expostas no maior museu da cidade, o Museu Oscar Niemeyer (MON).

Ela já ganhou o livro “A Viagem de Efigênia Rolim nas Asas do Peixe Voador”, escrito pela jornalista Dinah Ribas e dois documentários “Rainha do Papel”, dos paranaenses Estevan Silveira e Tiomkim (1999) e “O Filme da Rainha” do argentino Sérgio Mercurio (2006).

Efigênia recebeu ainda a Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura, a mais alta honraria concedida pela instituição aos artistas brasileiros. Virou nome de rua. Já ganhou prêmio em dinheiro pela sua obra. Mas, a vida não tem sido fácil para ela. A artista está com problemas financeiros.

Na semana que vem, está sendo organizado um plantio de árvores perto da casa dela. É uma tentativa de deixar mais bonita a região onde mora com o filho, que tem paralisia cerebral. Também vão ser arrecadados alimentos e doações.

Efigênia está se recuperando de um enfisema pulmonar e não tem conseguido manter a casa e o atelier em que trabalha. Não tem mais dado aquelas cambalhotas por aí. (Sim, até há pouco ela fazia isso). Os médicos pediram para que ela não mexa mais com os papéis de bala porque há o risco de comprometer mais o pulmão.

Quando estava no hospital, continuava fazendo festa e rindo, contam os que iam visitá-la. A tristeza só tomou conta quando o filho adoeceu. “Aí partiu meu coração”.

“Nascida em Abre Campos, Minas Gerais, em 1931, ela se mudou para a capital paranaense, e teve a vida típica de migrante: pobreza, dor, mendicância, marginalidade e sofrimento. A arte de Efigênia se dá por duas vias. Seus objetos, criados a partir do lixo, desafiam a imaginação logo no primeiro contato, mas, quando acompanhados pelos comentários em versos da repentista, ganham nova dimensão.

Ao conjugar esses dois fatores, a sucata e o papel de bala tornam-se únicos, seja pela riqueza visual, pelas conotações que propicia ou pela forma absolutamente original que Efigênia encontra de trabalhar restos da realidade.

Efigênia não conhece limites. É no sonho e na imaginação que se coloca seu pensamento, muitas vezes confundido com loucura, poucas vezes apontado como um caminho para uma nova forma de conhecimento. Cada obra que realiza com sucata é uma reação ao mundo, uma resposta ao que sofreu, um caminho para a extrema sabedoria”. O trecho do texto é do jornalista e crítico de arte, Oscar D’Ambrosio.

A estudante de artes visuais Lisa Storti, que estuda a artista para seu projeto de conclusão de curso, também organizou uma ação beneficente. É bonito ver o carinho e o respeito de Lisa por Efigênia. “Ela tem essa coisa de ver o lúdico, o bonito, naquilo que é feio e descartável. Ela tem o poder de ressignificar uma coisa que é lixo em arte. Tudo é possível para ela”, afirmou Lisa para o Caderno Viver Bem.

É triste, estranho, absurdo, revoltante que, reconhecimento, título, obra em museu, críticas positivas não deem à Efigênia tranquilidade para envelhecer, não tragam respiro para sair do enfisema sem precisar pedir ajuda financeira.

Depois de tirar do lixo tantas bonecas e objetos, transformá-los em cor e alegria, colaborar com a reciclagem, tornar mais lúdico e limpo o nosso mundão (que mais um pouco vira um só lixão), esse tal destino bem poderia ser mais justo.

Este link dá no facebook da Efigênia. Não é ela quem administra, mas quem quiser ajudar pode entrar em contato por lá.

Fotos: reprodução Facebook

Jornalista cultural apaixonada por temas ambientais. Colaborou para várias revistas como Bravo!, Isto É, Nova e jornal Gazeta do Povo. Em TV, foi editora-chefe do programa Gente.com. Trabalhou como produtora e editora nos programas QI na TV, Com a Palavra, Aqui entre Nós, É Cultura. Foi repórter de TV por 12 anos e jornalista responsável pelo Guia Cultural Curitiba Apresenta. Mantém o blog de crônicas Nunca precisou de chão firme.

Karen Monteiro

Jornalista cultural apaixonada por temas ambientais. Colaborou para várias revistas como Bravo!, Isto É, Nova e jornal Gazeta do Povo. Em TV, foi editora-chefe do programa Gente.com. Trabalhou como produtora e editora nos programas QI na TV, Com a Palavra, Aqui entre Nós, É Cultura. Foi repórter de TV por 12 anos e jornalista responsável pelo Guia Cultural Curitiba Apresenta. Mantém o blog de crônicas Nunca precisou de chão firme.

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