Economia Solidária já representa 1% do PIB Nacional

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Sempre me interessei por produtos locais, feitos por mãos que me fazem enxergar a cultura, o saber de quem os produz. Seja na cidade onde vivo, em outras partes do Brasil ou do mundo.

Minhas cadernetas de anotação, vício remanescente dos tempos de jornalismo em redação, são produzidas em ateliês de encadernação, feitas por grupos que se reúnem motivados por diversas razões. São encomendadas ao Projeto Tear ou adquiridas em feiras. E do mesmo modo compro também adereços, bijuterias, brinquedos e conservas.

Sempre que possível, compro hortaliças diretamente dos agricultores em feiras de produtos orgânicos, o que faz com que elas custem o mesmo que as convencionais em gôndolas do mercado. Além de consumir produtos mais saudáveis, ganho as histórias e o conhecimento dos agricultores, que dão dicas sobre cultivo e ainda apresentam variedades de Plantas Alimentícias Não Convencionais, as PANCs, sempre muito saborosas.

O que isso tem a ver com Economia Solidária? Tudo. Significa acreditar que um outro modelo é possível, com um comércio justo e local e uma economia mais horizontal. Sem falar na tal da sustentabilidade, palavra que nem gosto muito de usar porque anda bem desgastada. Mas vá lá, é isso mesmo.

Pode-se dizer que a economia solidária tem três dimensões: econômica, cultural e política.

Econômica, porque é uma forma de produção, comércio e consumo que se concretiza a partir da cooperação e da autogestão. Não existem patrões ou empregados, todos são ao mesmo tempo trabalhadores e donos.

Cultural, porque esse é um jeito de estar no mundo e consumir produtos locais, saudáveis, sem transgênicos, que afetam pouco o meio ambiente e não beneficiam grandes empresas. Muda-se o paradigma da competição para o da cooperação.

Política, porque é um movimento social em busca de mudanças, propondo uma forma de desenvolvimento para as pessoas e construída pelas pessoas, a partir dos valores da solidariedade, da cooperação, da preservação do meio ambiente e dos direitos humanos.

A economia solidária vem crescendo no Brasil: já representa 1% do PIB nacional e 3% dos empreendimentos (mais de 33 mil). Não é pouca coisa! O dado foi divulgado pela Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES) no segundo semestre de 2015.

O Atlas Digital da Economia Solidária, produzido pela SENAES, é uma boa oportunidade de conhecer melhor esse crescimento. A atuação dessa economia é ampla e variada, incluindo artesanato, costura, alimentação, bens e serviços culturais, entre muitas outras possibilidades.

Uma das formas de perceber a riqueza dessa produção é buscar feiras de economia solidária. Na cidade de São Paulo, por exemplo, acontecem duas feiras fixas, mensais, em parques municipais: uma no Parque Mário Covas e outra no Parque Severo Gomes. E cada vez mais bazares e feiras pontuais são promovidos também. Além disso, no caso da alimentação, existem feiras orgânicas em parques ou em suas proximidades, como a Feira no Modelódromo do Ibirapuera, no Parque Burle Marx, e no Parque da Água Branca, essa a mais antiga.

O tema é rico e cheio de boas experiências a serem compartilhadas: produtos, serviços, bancos populares, moedas sociais; as pessoas e os empreendimentos que fazem a economia solidária crescer e se diversificar; as políticas públicas necessárias para o seu fortalecimento; os diferentes tipos de empreendimentos.

É um pouco de tudo isso que pretendo trazer em meus próximos posts.

Foto: Divulgação/Projeto Ecosol SP

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

2 comentários em “Economia Solidária já representa 1% do PIB Nacional

  • 16 de agosto de 2016 em 11:13 AM
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    Adorei! Faço parte da Economia Solidária, em São José dos Pinhais – PR, há 3 meses. Estou gostando da experiência, e quero estar mesmo informada de tudo sobre a ECO-SOL, que acontece pelo país. Querendo algum depoimento meu, estou às ordens. Minha história é bem legal.

    Sabrina Filgueira

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    • 17 de agosto de 2016 em 10:19 AM
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      Olá, Sabrina. Fico feliz que tenha curtido o post. Que tal me mandar seus contatos pra gente bater um papo? Envie para conteudoseafins@gmail.com. Um abraço, Mônica Ribeiro.

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