Economia solidária conquista espaço ao lado de grandes marcas

Já publiquei, aqui no blog, alguns posts sobre a venda de produtos da economia solidária em shopping centers. Hoje, trago mais um caso: o Armazém das Oficinas, que ocupa o Quiosque Solidário do Shopping Center Norte, localizado próximo à rodoviária do Tietê, em São Paulo, até o mês de agosto.

Artigos de decoração e papelaria, resultado do trabalho feito por cerca de 300 pessoas da rede de saúde mental (leia Economia Solidária e Saúde Mental: uma relação que transforma), em oficinas de papel artesanal, serralheria, marcenaria, ladrilho hidráulico, vitral plano, costura e mosaico, estão à venda no chamado quiosque solidário, iniciativa do Instituto Center Norte.

“Estar num espaço como o Quiosque Solidário permite, além da visibilidade da nossa marca, dialogar com a sociedade sobre a capacidade produtiva dos projetos de inclusão social pelo trabalho na área da saúde mental. Isso ajuda na diminuição das barreiras preconceituosas, pois demonstra de modo concreto a qualidade do que é produzido”, avalia Katia Rodrigues, coordenadora da oficina de papel do Armazém das Oficinas.

Sediado em Campinas, o Armazém foi criado com o objetivo de ser a marca dos produtos e serviços das oficinas do Núcleo de Oficinas e Trabalho (NOT), programa que é resultado da parceria entre a Associação Cornélia Vlieg e o Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira. O projeto visa atender a demanda de portadores de transtornos mentais que não conseguem espaço no mercado formal de trabalho, oferecendo à população atividades em oficinas específicas como alternativas.

O NOT funciona como uma espécie de cooperativa, com a preocupação de favorecer a participação democrática dos usuários em todas as etapas do processo de trabalho, isto é, na produção, venda e processo de remuneração. O usuário (sujeito) se identifica e se reconstrói com resultado de sua produção/trabalho.

Os participantes das oficinas recebem uma bolsa de estudo como resultado da produção e venda dos produtos. O resultado das vendas é dividido entre eles de acordo com a avaliação de desempenho de cada um, feita em grupo.

Os Programas de Inclusão Social pelo Trabalho buscam contribuir para a reabilitação psicossocial e econômica da pessoa com transtorno mental e/ou com problemas decorrentes do uso abusivo e da dependência de álcool e outras drogas, por meio de sua inserção em oficinas de geração de trabalho e renda ou em grupos associativos, associações, cooperativas, organizados de forma coletiva e participativa, formais ou informais.

“Essa parceria com o Instituto Center Norte ajuda a ampliar a divulgação da marca Armazém das Oficinas num local de grande impacto comercial. A expectativa de boas vendas mobiliza os grupos com a possível melhora na geração de renda. Já estivemos em outros locais como esse, mas a diferença agora é o tempo de permanência – 90 dias – e também nossa forma de organização, uma vez que estamos localizados em outra cidade: contratação de funcionários da cidade local, planejamento para produção intensiva e reposição de estoque semanal”, avalia Katia.

Além de qualidade e beleza, os produtos trazem toda essa história. Lembro que o próximo dia 18 de maio é o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, e como já apontei no texto indicado logo no início deste post, economia solidária tem tudo a ver com isso.

Foto: Armazém das Oficinas/Divulgação

Leia matérias publicadas nesse blog sobre a venda de produtos da economia solidária em shopping centers:

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colabora com a revista Página 22, da FGV-SP e com a Plataforma Parceiros Pela Amazônia, e atua nas áreas de meio ambiente, investimento social privado, economia solidária e negócios de impacto, linkando projetos e pessoas na comunicação para um mundo melhor

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