É tempo de buriti na pele

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Rejuvenescimento, renovação das células, estímulo à produção de colágeno mais elastina e hidratação profunda são as promessas mais populares do óleo de buriti, base de muitos cosméticos naturais brasileiros, incluindo alguns com certificação orgânica. O óleo é bom mesmo, melhor ainda quando extraído por prensagem a frio, processo que preserva as boas propriedades cosméticas, exatamente como acontece com os azeites de oliva em relação às boas qualidades culinárias.

O buritizeiro (Mauritia flexuosa) é uma bela palmeira com mais de 30 metros de altura, folhas espalmadas, caules eretos e raízes sempre na água, sejam florestas alagáveis da Amazônia, veredas do Brasil Central, brejos ou verdadeiros “riachos” que correm escondidos, dentro da terra, no Cerrado. As matas dominadas por buritis têm um papel importante na conservação da qualidade das águas e retenção de sedimentos, nos ambientes de solo encharcado em que estão instaladas, onde crescem poucas espécies de porte. O aproveitamento racional dos frutos é uma maneira de proteger os buritizeiros em pé, livres de queimadas e do corte raso para drenagem e implantação de pastagens.

Os buritizais dividem-se em palmeiras machos e fêmeas e só as fêmeas produzem cachos, depois de ter suas flores fecundadas pelo pólen dos machos, com a ajuda de abelhinhas nativas e besouros. Em geral, os cachos são imensas “cascatas” de buritis alaranjados, com 450 a 2 mil frutos, cada um com 3 a 7 centímetros. Uma única palmeira fêmea pode produzir até 10 cachos em um ano (embora depois “descanse” com uma produção menor por um ou dois anos)!

Segundo boletim técnico da Embrapa, escrito pelos pesquisadores Maurício Bonesso Sampaio e Luis Roberto Carrazza, os buritis são ricos em betacarotenos (pró vitamina A), vitaminas C e E; têm alto teor de ácidos graxos insaturados, promotores do bom colesterol (HDL), como o óleo de canola e o azeite de oliva, e produzem um óleo bactericida com diversas propriedades cosméticas, incluindo o fato de agir como protetor solar natural (conforme já destacamos aqui no Bioconecta, em 2015, no post Buriti antes e após o sol). O manejo sustentável dos buritizais, portanto, é de múltiplo interesse: para a gastronomia, a saúde, a beleza e o bem estar.

E não é preciso esperar a realização de mais pesquisas ou testes para adotar o buriti no dia a dia urbano. Entre as versões cosméticas já disponíveis no mercado, além dos protetores solares, o buriti está no fluido de brilho e realce da cor para cabelos tingidos, no sabonete líquido em óleo e no óleo trifásico desodorante corporal com ação emoliente nas axilas, todos da linha Ekos da Natura. O buriti também está na manteiga corporal hidratante da marca Beleza do Campo, e ainda pode ser adquirido on line, em frascos pequenos de diversas marcas (Flora Fiora, Terra Flor, Life Cosmetics, Óleos Naturais da Vovó) ou em quantidades maiores, para a produção artesanal de sabonetes, xampus e loções hidratantes (Destilaria Bauru, Gran Oils).

Resta trabalhar por longa vida aos buritizais: para garantir a hidratação de peles e cabelos, além de continuar servindo como alternativa de renda a comunidade rurais e rica fonte de alimento à fauna silvestre!

Foto: Liana John

Liana John

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

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