É preciso desmatar mais para produzir alimentos? Vídeo desfaz mitos sobre produção agrícola e conservação do meio ambiente

Fatos Florestais: vídeo desfaz mitos que opõem produção agrícola à conservação do meio ambiente no Brasil

Nunca ouvimos falar tanto que “o Brasil é o país que mais preserva”, que “áreas protegidas são improdutivas” e “que precisamos de mais terra para plantar”, ou seja, que é preciso desmatar mais para produzir alimentos. Tais falácias – “embasadas por uma série de distorções de dados e equívocos propositais típicos de fake news”, como explica o engenheiro florestal Tasso Azevedo, do Observatório do Clima – têm sido repetidas pelo presidente Bolsonaro e pelos ministros do Meio Ambiente e da Agricultura para justificar a sanha do agronegócio e de outros setores como mineração e energia, que cobiçam as terras protegidas do país, principalmente as dos povos da floresta: indígenas e quilombolas.

Pra acabar com qualquer dúvida e desfazer mitos (e fake news), o Observatório do Clima (OC), em parceria com a Produtora Imaginária e o cineasta Fernando Meirelles, da O2 Filmes, lançou um vídeo didático de apenas 13 minutos – chamado de Fatos Florestais -, protagonizado por Tasso e a atriz Camila Pitanga. Ele apresenta o cenário e responde às perguntas de Camila – apoiado por gráficos animados -, como se os dois estivessem conversando,

Esse trabalho se baseia em duas grandes fontes públicas de informações – o projeto MapBiomas, que mapeou as alterações da cobertura vegetal no Brasil nos últimos 35 anos, e o Atlas da Agropecuária, criado pelo Imaflora – Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola e pelo Laboratório de Geoprocessamento da Esalq-USP, que apresenta a situação fundiária no país. Mas também se vale de dados da FAO – Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, do Inpe – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e da Embrapa.

Assim, ao assistir ao vídeo, o público poderá compreender, por exemplo, que, tirando a Amazônia (que detém apenas 10% da produção agrícola do Brasil), as áreas protegidas não chegam a 5%! Também saberão que o Brasil não é o país com a maior área florestal do mundo (é a Rússia) e que, proporcionalmente, não é o que tem a maior área de seu território com florestas (há 20 países com mais floresta que o Brasil), nem tem a maior proporção de áreas protegidas. Na verdade, estamos na média mundial, mas temos menos áreas protegidas que a Alemanha e vários países sul-americanos. Só temos fama.

E o mito – que talvez seja o mais propagado por este governo – de que falta terra para produzir mais alimentos no Brasil? Caramba! O país possui a terceira maior área de produção do mundo. São 245 milhões de hectares! Perde apenas para China e Estados Unidos, com um detalhe: nosso país tem mais área agrícola por habitante do que estes países. Então, não é preciso desmatar mais nenhum centímetro, apenas ocupar melhor as terras já devastadas.

A principal mensagem do vídeo Fatos Florestais, como ressalta Tasso, é esclarecer que não existe oposição entre produção de alimentos e conservação. Para embasar essa ideia, ele cita o exemplo de São Paulo, estado no qual a área agrícola cresceu sobre pastagens nas últimas décadas, sem desmatamento adicional. Mais: na verdade, a área de florestas no estado sofreu um ligeiro aumento.

“Há uma área imensa de pastos mal aproveitados ou abandonados no país que podem ser usados para mais do que dobrar a nossa produção de alimentos”, explica. “É preciso usar o território com inteligência e aumentar a produtividade. E nisso nossos agricultores são muito bons”.

A diretora do filme, Gisela Moreau, comenta a realização deste trabalho: “Em tempos difíceis de distorções de dados sobre a questão agrária, sentimos urgência em reagir e contribuir com dados científicos. É preciso preservar e utilizar com inteligência os imensos potenciais do Brasil”.

Segundo o OC, Fernando Meirelles, que coproduziu o vídeo, diz que compreende a busca por rentabilidade na enorme área do Brasil aberta para a produção, mas, seja qual for o projeto para o setor rural, ele precisa partir da ideia de que as florestas precisam ser preservadas. “Está na hora de o Brasil investir seriamente em tecnologia para a economia da floresta”. E completou: “A diversidade de produtos é imensa e a mão-de-obra que sabe lidar com eles, como ribeirinhos, quilombolas, assentados e indígenas, já está lá. Basta vontade de fazer direito”.

A atriz Camila Pitanga disse que espera que “esse vídeo ajude a despertar olhares para que tenhamos uma pauta progressista para o meio ambiente”. Nós também.

Agora, assista ao vídeo com Tasso e Camila e ajude a espalhá-lo pelas redes sociais, entre os amigos, na escola, no trabalho, onde você mora… Só com informação de qualidade poderemos ajudar a neutralizar o obscurantismo que só cresce com este governo, que considera o combate às mudanças climáticas, por exemplo, como uma conspiração internacional marxista contra o desenvolvimento.

Fonte: Observatório do Clima

Foto: Reprodução do video

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