É hora de apostar na Economia Circular

especial economia criativa na holanda

selo-economia-criativa-especial-XTransformar resíduos em novos produtos e materiais com o máximo de eficiência e o mínimo de desperdício é o caminho adotado por países industrializados, rumo à Economia Circular. A meta é chegar a um modelo econômico com zero resíduos, tornando a sociedade capaz de reduzir seu lixo, reaproveitar matérias primas e reciclar todo tipo de produto ou embalagem pós-consumo. E de modo inteligente, no chamado sistema de berço a berço, no qual o destino de cada produto é ser transformado em um novo produto e nunca ser depositado em aterros sanitários ou – muito menos – em lixões.

O primeiro passo já foi dado, na maioria desses países: aprovar e colocar em vigor uma legislação ambiental que favoreça a reutilização dos resíduos das mais diversas formas e crie uma logística reversa, de modo que os fabricantes se responsabilizem por tudo o que sai de suas fábricas. Estamos tratando, aqui, de leis muito além da mera coleta seletiva doméstica: leis feitas para os setores industriais e comerciais, acatadas pela sociedade inteira.

O segundo passo é criar sistemas de retorno dos materiais para a cadeia produtiva. E, neste quesito, um dos principais desafios reside no fato de muitos produtos serem compostos por materiais mistos, difíceis de separar para o reaproveitamento como matérias primas.

Uma embalagem de suco ou leite longa vida, por exemplo, é composta por papelão, plástico e alumínio. Os tecidos de roupas são compostos por fibras naturais – como algodão, lã, linho ou seda – misturadas a poliéster, acetato, viscose, elastano, poliamida, modal e uma série de outras fibras sintéticas. Uma geladeira tem metal, plástico e espuma isolante. E mesmo o mais simples colchão costuma ser de espuma revestida por tecido (sem contar a embalagem plástica com a qual é vendido).

Quando os materiais são fáceis de separar, a reciclagem e o reaproveitamento vão bem e a seleção pode até ser manual, feita em cooperativas de catadores. Mas, o que fazer quando materiais diferentes estão bem misturados? Ou, pior, como saber separar quando nem se tem certeza sobre a composição de um produto?

Este é um setor no qual diversas empresas holandesas estão investindo: maquinário de separação automática de materiais para reciclagem. São leitores ópticos precisos, a ponto de distinguir poliéster de poliamida num tecido (mesmo se a etiqueta mente, dizendo se tratar de 100% algodão) ou identificar, em segundos, se o polímero diante do visor é PET, PEAD, PVC, PEBD, PP ou PS. Uma vez separados, os materiais se transformam novamente em matéria prima, a custos menores.

Aí entra a criatividade no desenvolvimento de novos produtos com os velhos materiais, outra área estimulada no tipo de Economia Circular perseguido pela Holanda. Algumas cidades já reúnem pequenos fabricantes em seus centros de triagem de resíduos e muitas empresas são estimuladas a trabalhar com os materiais recuperados, além dos habituais artesãos. Mais: apesar das crises econômica e política, diversas empresas holandesas enxergam oportunidades de investimentos no Brasil, no setor de triagem de resíduos e soluções inteligentes para reciclagem contínua de materiais.

Após uma semana de visitas a empresas recicladoras holandesas, a convite do Ministério das Relações Exteriores da Holanda, eu trarei até você, leitor do Conexão Planeta, uma série de reportagens sobre iniciativas que podem nos servir de exemplo e inspiração no desenvolvimento de uma Economia Circular brasileira.

Nas próximas semanas, este especial abordará os seguintes temas:

  1. Reaproveitamento de couro de sofás
  2. Novas funções para velhas estruturas de aço
  3. Colchões de espuma para isolamento térmico
  4. A difícil arte de separar fibras têxteis
  5. Os 3Rs no universo das filmagens
  6. Lixeiras com eficiência máxima
  7. Carga pesada no desmonte de navios
  8. Reciclagem de eletrodomésticos
  9. Do papel ao papel
  10. Almere, uma cidade com meta Zero Resíduos

Aguardo você aqui na semana que vem, com a primeira reportagem do especial Economia Criativa! Até lá!

 

Foto: Sergio Weller/divulgação I amsterdam

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

Liana John

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

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