E agora?

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É dolorido, mas também é fundamental começarmos a verbalizar o que muitos já estão percebendo. Deu ruim. Acabou. Do jeito que está não dá mais. Os sistemas político, financeiro e educacional já eram. O que nos venderam e aceitamos como um caminho legal está nos levando para um lugar de medo, violência, isolamento e depressão. Sinto isso por todo lado e não é uma circunstância local. Somos o sapo na panela quente. Parece que estamos mesmo à beira de um colapso. Não é uma crise da humanidade como uma entidade abstrata. É a sua crise. É a minha crise. É a nossa crise. E some-se a essa sensação, a angústia de não sabermos como sair da panela.

Mas, o que me instiga não é a crise ou a expectativa de um colapso. É o “e agora?” Não é hora de sentar e chorar. Nem de desesperar. Pois há de haver um lugar além da resignação e do sofrimento.

Me importam as conversas e pequenas ações que nos fazem lembrar o que perdemos no meio do caminho. Falo da urgência em voltar a cultivar coisas como camaradagem, simplicidade, beleza, diversão, confiança, leveza, paciência, criação –  essas qualidades que a natureza expressa em abundância e as crianças sabem muito bem manifestar quando estão brincando umas com as outras.

Nós já fomos crianças e somos seres da natureza, não? Sou do time de adultos que querem menos desenvolvimento e mais envolvimento. Menos muros e mais pontes. Menos inovação e mais conexão com o que é genuíno e essencial. Menos engodo e mais verdade. Menos ilusão e mais olhos abertos. Menos barulho e mais escuta. Mais pausa e mais amor. Quando? Agora.

Natureza, criança e arte é minha equação pessoal para me manter protegido da brutalidade do imediatismo e da racionalidade que só vê sentido em coisas com alguma razão de ser. Me encantam os gatos e cachorros, as orquídeas que brotam na minha varanda, contar e ouvir boas histórias, o diálogo entre pincéis, tintas e papéis, o nobre silêncio dos rios e a generosidade infinita das águas, a batida dos tambores e pandeiros, a dança e a poesia, as unhas sujas de barro, os encontros numa cafeteria com amigos no meio de uma tarde fria, a fronteira tênue entre a realidade sonhada e o que chamam de vida real.

Envelhecer com alma de criança está me trazendo a sem-vergonhice necessária para escrever e dizer o que penso, sinto e faço para quem estiver por perto.

Enquanto houver natureza, haverá amor!

Algumas dessas pessoas que estão por perto têm ouvido um dos meus planos de abrir um novo negócio. Um negócio alinhado com a necessidade urgente de recuperar o que é essencial. Resgatar o que foi esquecido ou soterrado sobre nossa inata capacidade de criar e imaginar o impossível. Um negócio social para relembrar a natureza biológica da espécie humana que é generosa e amorosa. Um empreendimento que liberte pessoas e empresas dos excessos que as tornaram pesadas e pesarosas.

Como arquiteto, sinto-me pronto para comunicar por aqui a abertura imaginária de uma… DESCONSTRUTORA! E aproveito para assumir de vez minha vocação para a Arquitetura da Desconstrução. Importante não confundir com uma demolidora, pois crenças, velhas memórias e padrões não podem ser demolidos, mas sim desconstruídos. Derretidos com elegância e com movimentos certeiros.

Ao remover o peso de memórias e paradigmas que já foram úteis para alguma coisa e agora não servem mais, acessamos uma sabedoria que sempre esteve lá. Mas foi soterrada. Des.construir, des.apegar, des.cobrir, des.vendar, des.pertar, des.frutar, des.plugar, des.embaraçar são algumas dimensões da DESCONSTRUTORA para atender pessoas como eu, e talvez você, que acreditam que temos muito a aprender com o ser humano que mora sob o manto do medo de deixarmos de ser quem nos tornamos.

Eu já estive com algumas pessoas que vieram do futuro.
Aprendi com elas que o amanhecer é inevitável.
E o amor vencerá.

Este breve artigo nasceu a partir de um breve post publicado no Facebook, em 23/11, inspirado pela leitura da entrevista com o filósofo, conferencista, escritor e ativista do decrescimento Charles Eisenstein para a revista Época: O normal já era. Um dia antes, tive a oportunidade de participar de uma viagem de ida e volta ao futuro com Charles e Orland Bishop no Hiperespaço, a convite de Fabio Novo e Edgard Gouveia.

Vamos em frente, pois como ensinam os rios: não tem volta, só tem ida. E o futuro é logo ali.

Foto: Wendy Longo/Flickr

“Sonhar grande, fazer pequeno e começar logo” é seu mantra preferido. Como mestre em Aikido, tem viajado o Brasil e o mundo inspirando pessoas com suas experiências como faixa-preta em harmonia para diversos públicos. É fundador do Instituto Harmonia que oferece experiências criativas na formação de novas lideranças, do campo da educação vivencial e da sustentabilidade. Por dez anos, foi convidado especial nos programas de desenvolvimento de lideranças da Amana-Key. O arquiteto, é um dos criadores da iniciativa Rios & Ruas que promove e inspira múltiplas experiências para a população descobrir, ver e querer nossos rios limpos e livres. Acredita que Deus está disfarçado entre nós como Água.

José Bueno

“Sonhar grande, fazer pequeno e começar logo” é seu mantra preferido. Como mestre em Aikido, tem viajado o Brasil e o mundo inspirando pessoas com suas experiências como faixa-preta em harmonia para diversos públicos. É fundador do Instituto Harmonia que oferece experiências criativas na formação de novas lideranças, do campo da educação vivencial e da sustentabilidade. Por dez anos, foi convidado especial nos programas de desenvolvimento de lideranças da Amana-Key. O arquiteto, é um dos criadores da iniciativa Rios & Ruas que promove e inspira múltiplas experiências para a população descobrir, ver e querer nossos rios limpos e livres. Acredita que Deus está disfarçado entre nós como Água.

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