E a representatividade das mulheres?

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Outro dia falei, aqui no blog, de um documentário incrível que trata do estereótipo de masculinidade imposto aos meninos e de que forma isso influencia incisivamente na manutenção de padrões de comportamento e relacionamento impregnados de violência, força e insensibilidade.

O nome do filme é The Mask You Live in e veio na sequência de Miss Representation, produzido pela mesma equipe – The Representation Project -, que trata de outro tema bastante pertinente: a forma como a mulher é representada pela grande mídia.

Não é novidade pra ninguém que mulheres são objetificadas e têm suas imagens veiculadas à sensualidade, sexualidade ou a atividades relacionadas aos afazeres de casa. Se não bastasse, o culto à beleza, à juventude eterna e à magreza também impõe métricas e padrões absurdos, e quase inatingíveis, que geram expectativas, quase sempre frustradas, em mulheres e homens. Isso se reflete na ocupação de espaços públicos e de poder, como a política e ambientes corporativos e extremamente competitivos.

Um outro documentário, Mulheres brasileiras: do ícone midiático à realidade, produzido com a participação do Instituto Patrícia Galvão, retrata essa questão sob a ótica das mulheres brasileiras, o que torna a questão ainda mais assustadora.

De acordo com o filme, 90% da população brasileira são telespectadores assíduos da televisão, que é sua principal fonte de informação e atualização. Isso diz bastante sobre o nível de influência política, cultural e social que os conteúdos televisivos exercem sobre a sociedade e, especialmente, sobre a figura construída da mulher.

Além disso, a diversidade da mulher brasileira passa longe dos estereótipos europeus e, ainda assim, não tem muito espaço na mídia.

Pra mudar isso é preciso, antes de mais nada, tomar consciência sobre de que forma pretendemos ser representadas e, a partir daí, recusar tudo aquilo que o fizer de maneira pejorativa, apelativa e subestimada.

Temos que rever nossas referências e repensar nossas ideias de feminilidade. Quem são as mulheres que nos movem e porquê o fazem? É hora de dar luz às grandes mulheres de histórias inspiradoras e transformadoras, pra que elas se tornem o novo padrão de beleza que desejamos alcançar.

Enquanto isso, vale assistir Miss Representation (abaixo, estão os dois filmes) e arregaçar as mangas para mudar tudo isso. O caminho é longo.

 

Sonhadora, feminista e apaixonada por pessoas e histórias. Trabalhou por dez anos como advogada e em 2014 deixou o escritório para empreender o Think Twice Brasil, cujo primeiro projeto – Experiência de Empatia – foi uma viagem de 400 dias por 40 países para se aprofundar no aprendizado e identificação de soluções para desigualdade social e de gênero. De volta ao Brasil, está à frente do Instituto Think Twice Brasil e de projetos ligados à justiça social e de gênero.

Gabriele Garcia

Sonhadora, feminista e apaixonada por pessoas e histórias. Trabalhou por dez anos como advogada e em 2014 deixou o escritório para empreender o Think Twice Brasil, cujo primeiro projeto – Experiência de Empatia – foi uma viagem de 400 dias por 40 países para se aprofundar no aprendizado e identificação de soluções para desigualdade social e de gênero. De volta ao Brasil, está à frente do Instituto Think Twice Brasil e de projetos ligados à justiça social e de gênero.

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