Duas águias macho e uma fêmea formam família e cuidam juntas de seus filhotes

Duas águias macho e uma fêmea formam família e cuidam juntos de seus filhotes

A bold eagle (Haliaetus leucocephalus) é uma das aves mais emblemáticas dos Estados Unidos. Símbolo daquele país, ela é nativa da América do Norte, e pode ser encontrada desde o Alaska até o norte do México.

As asas desse animal belíssimo podem chegar a ter a impressionante envergadura de quase 2,5 metros. Com isso, quando estão voando, perseguindo suas presas, podem atingir a velocidade de 160 km por hora.

Na vida selvagem, entre 70% e 80% das águias morrem antes de se tornarem adultas, por volta dos cinco anos. Aquelas que conseguem passar dessa fase, podem viver em torno de 20 a 25 anos. Em cativeiro, entretanto, a espécie sobrevive muito mais tempo – 40 ou 50 anos -, por estar em um ambiente seguro, ter alimentação garantida e cuidados veterinários.

O que faz esta notícia de hoje ser surpreendente é que, em geral, a águia americana, chamada de águia-careca em inglês, tem um parceiro para a vida toda. Uma vez que um macho e uma fêmea tenham acasalado e procriado juntos, serão um casal para sempre.

Todavia, como a natureza sempre nos dá lições maravilhosas, mais uma vez ela nos mostra que famílias podem ser compostas das mais diversas formas.

A organização de proteção ambiental, Stewards of the Upper Mississippi River Refuge, registrou uma família de águias com dois machos e uma fêmea, que juntos, estão cuidando de seus três filhotes.  

O trio de águias cuidando dos filhotes recém-nascidos

Na beira do rio Mississippi, os pais Valor I e Valor II e a mãe Starr se revezaram no chocar dos ovos e agora, com a proteção e a alimentação dos três filhotes, que nasceram há poucas semanas.

Segundo a equipe da organização, que acompanha através de câmeras escondidas a família, os dois machos copulam com a fêmea. No passado, já foi registrado a existência de outros “trios” de águias nos Estados Unidos, mas esta é a primeira vez que se teve notícia do “relacionamento amoroso a três”.

Debaixo de chuva, uma das aves protege seus filhotes com suas enormes asas

As três águias do Mississippi estão juntas desde 2017. Antes disso, todavia, havia outro trio no ninho, com os mesmos machos, mas a fêmea Hope, que abandonou o local. Foi então que Starr apareceu e se juntou à Valor I e Valor II.

A majestosa águia-americana

Apesar de em inglês a espécie Haliaetus leucocephalus ter o nome de águia-careca, ela possui penas em todo corpo (são aproximadamente 7 mil) . O termo “bald” vem da palavra do inglês arcaico “balde”, que originalmente significava branco. Era a “águia da cabeça branca”.

Geralmente, essa ave vive próximo a rios e lagos. Ela se alimenta basicamente de peixes, mas também pode comer outros animais, como pequenos mamíferos (esquilos, guaxinis e coelhos), e até, aves aquáticas.

As águias, assim como outras aves de rapinas, possui um bico curvo que serve para despedaçar suas presas.

Em pleno voo: envergadura das asas pode chegar a 2,5 metros

Para conquistar seus parceiros, a espécie tem um ritual de cortejo especial, em que mostra sua força e agilidade. Aproximadamente de 5 a 10 dias, após a cópula, a fêmea coloca os ovos e o período de incubação dura cerca de 35 dias.

Com três meses, os filhotes começam a dar seus primeiros voos

Um fato interessante da vida das águias-americanas é que elas são “fiéis” ao ninho em que nasceram. Quando chegam à maturidade, ano após ano, irão retornar ao mesmo ninho de nascimento para se reproduzir.

Fotos: reprodução Facebook Stewards of the Upper Mississippi River Refuge e domínio público/pixabay (águia voando)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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