Drinkable Book: suas páginas filtram água contaminada e dão dicas de higiene e consumo

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É difícil imaginar a vida sem água potável, mas esta é a realidade de 663 milhões de pessoas pelo mundo (bem pertinho de nós, inclusive: é só observar os moradores de rua), segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde e a UNICEF. E só água limpa pode transformar a qualidade de vida dessas pessoas, sua saúde, garantir o desenvolvimento das crianças e ajudar a erradicar a pobreza, que é um dos grandes Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), lançados pela ONU em 2015 (em substituição aos 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – ODM) e que estão em vigor desde o primeiro dia deste ano.

drinkable-book-teri-800Pensando nisso, a pesquisadora americana Theresa Dankovich, da Universidade Carnegie Mellon, em Pittisburgh, EUA, desenvolveu um papel antibacteriano – feito de nanopartículas de prata, letais para bactérias como o E. Coli e Cryptospordium – para ajudar a combater a propagação de doenças transmitidas pela água, reduzindo os problemas de saúde nos países em desenvolvimento e subdesenvolvidos. Na verdade, o projeto teve origem na Universidade de McGill, em Montreal, no Canadá, quando ela fazia doutorado em Química. Foi lá, também, que ela criou um método verde para produzir as partículas de prata sem impacto ambiental.

Outros pesquisadores se juntaram a Teri, como é mais conhecida. Os primeiros testes do filtro foram realizados em laboratório com água contaminada artificialmente. Em seguida, vieram os testes em campo, em Gana e na África do Sul. A contagem de bactérias despencou em mais de 99% e, na maioria das amostras, caiu para zero. Foram, então, para comunidades rurais do Haiti, Quênia e da Índia, em parceria com a ONG Water is Life, dedicada a encontrar e disseminar soluções para os problemas da água no mundo. Até o ano passado, o filtro havia sido testado com mais de 25 fontes de água. Em junho, foi realizado o último teste no sul de Bangladesh, com o apoio da organização IDE.

Do filtro ao livro e além

Do papel para a criação do livro não demorou muito. O layout do Drinkable Book foi desenvolvido por Luke Hydrick, estudante de design da Universidade de Cincinnati, que se juntou à equipe de Teri que, em 2014, já contava com seu marido, Jonathan Levine, engenheiro ambiental e parceiro de negócios. Logo eles ampliaram a utilidade deste produto genial e inovador: em suas páginas, além de orientações sobre o uso do filtro, estão impressas dicas de higiene e para o uso consciente da água. Ou seja, o livro é também um manual de orientação para seus usuários.

Cada exemplar tem 25 páginas ou filtros. Cada filtro pode limpar cerca de 26 litros de água e durar 30 dias, o que significa que, cada livro pode garantir água tratada por mais de dois anos.

A intenção é executar mais testes em outros países, ampliar a produção dos livros para distribuição e comercialização e traduzir o manual para muitas outras línguas. Para isso, é preciso, por exemplo, ampliar a escala de fabricação dos filtros a partir do aprimoramento da máquina que fabrica o papel e seu processo de secagem. Tudo para baratear seu custo e o preço para comercialização. Teri e equiepe sonham em oferecer cada filtro por 10 centavos de dólar ou menos, o que tornaria possível espalhá-lo pelas regiões mais pobres do planeta. Até agora, de todas as tecnologias disponíveis – filtros cerâmicos, esterilização UV, entre outros – o filtro do Drinkable Book já é considerado o mais barato.

E ampliar o uso do filtro para além do livro também faz parte dos planos. No ano passado, já tiveram uma boa experiência. Luke, designer que criou o livro, se ofereceu para projetar suportes para os filtros de papel: seria seu projeto de tese na universidade. Armado com vários protótipos, ele se juntou a Teri, em junho 2015, e foi para Bangladesh ouvir as comunidades. Lá, identificaram novos usos como em combinação com o kolshi, cisterna de alumínio adotada por todos como suporte de água em Bangladesh.

Os desafios ainda são muitos. Para ir além, não faltam ideias e gente talentosa para executá-las, mas faltam recursos financeiros. Já no início do projeto, Teri e equipe fizeram uma campanha de crowdfunding para arrecadar fundos para testar os papeis. Desde então, o site do Drinkable Book mantém, na homepage de seu site, um link direto para doações de interessados e entusiastas do projeto.

Assista ao vídeo, abaixo, que explica mais detalhes do projeto e de como funciona o livro:

Fotos: Divulgação/Brian Gartside

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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