#DressLikeAWoman: mulheres protestam nas redes sociais contra sexismo de Trump

Mais uma avalanche de manifestações tomou conta da internet nos últimos dias contra o comportamento de Donald Trump.

Uma fonte interna do governo revelou que o novo presidente dos Estados Unidos instruiu sua equipe de colaboradoras para que “se vestissem como mulheres”.

Instantaneamente, as redes sociais começaram a bombar com a hashtag #DressLikeAWoman. Em posts bem-humorados, centenas de mulheres colocaram fotos mostrando como se vestiam no dia-a-dia das suas rotinas de trabalho: médicas, esportistas, bombeiras, militares, juízas, astronautas.

Acredita-se que o comunicado de Trump indica o desejo dele que as funcionárias da Casa Branca e dos órgãos públicos só usem vestidos. É mais uma atitude retrógrada, sexista, preconceituosa e – desrespeitosa – contra as mulheres.

Durante sua campanha para eleição, várias mulheres vieram a público acusá-lo de assédio sexual. Além disso, um vídeo constrangedor (e indecente) revelando comentários grosseiros e machistas do candidato foi vinculado nacionalmente em canais da televisão americana.

No dia 21 de janeiro, milhões de mulheres foram às ruas, no mundo todo, protestar contra o discurso de Trump, conforme mostramos aqui, neste outro post.

As atitudes de Donald Trump revelam que a mentalidade dele está mais para a Idade das Pedras do que o século 21. Ele vai na contra-mão de todos os movimentos sociais da atualidade (nem vou mencionar aqui a questão do veto à entrada de imigrantes e refugiados no país).

Ao contrário do que o presidente americano prega, o que justamente vem ganhando força em muitos países é um movimento chamado STEM, que quer acabar com o sexismo e o estereótipo na infância e estimular meninas a se aventurarem por todas as áreas do conhecimento.

A sigla STEM representa as iniciais em inglês de quatro carreiras profissionais conhecidas por terem poucas mulheres: Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Nos Estados Unidos, estima-se que 84% das posições nestas áreas são ocupadas por homens. Globalmente,  86% dos engenheiros são homens.

Isso significa que eles são melhores neste setor e que as mulheres não gostam desta área? Não! Significa que desde muito cedo, meninas são desencorajadas a investir em profissões como esta. E como resultado, a perspectiva feminina nunca é levada em conta em pesquisas e desenvolvimento de novas tecnologias (leia mais sobre o assunto nesta matéria do Conexão Planeta).

Um dos tuítes que mais chamou a atenção nas redes recentemente foi o que mostra diversas fotos da italiana Licia Ronzulli, em sessões do Parlamento Europeu, onde ela sempre está acompanhada da filha. O post dizia “Traga seu bebê. Ensine ela a votar. Ensine ela a governar. Vista-se como Licia Ronzulli no Parlamento da Europa”: #DressLikeAWoman”.

Já a marca de roupas feminina, Wildfang, que tem um estilo completamente contemporâneo e alternativo em suas coleções, aproveitou a polêmica e fez o anúncio divertido que abre este post. Nele aparecem entre outras celebridades, a ganhadora do Nobel da Paz, Malala Yousafzai, com véu na cabeça. Após o tuíte, está a pergunta: “Está bom assim para você, Donald?”.

Ignorância se combate com informação, inteligência e muito bom humor!

Fotos: reprodução internet e divulgação Wildfang

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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