Dois professores brasileiros estão entre 50 finalistas do Global Teacher Prize, o “Oscar” da Educação

Dois professores brasileiros estão entre 50 finalistas do Global Teacher Prize, o “Oscar” da Educação

Este ano não é um, mas dois educadores brasileiros que foram selecionados entre os 50 melhores professores do mundo pelo Global Teacher Prize, premiação anual, criada em 2014, pela Varkey Foundation. O prêmio, considerado um Nobel da Educação, tem como objetivo valorizar a profissão de docente, reconhecendo práticas inovadoras e exemplares nas escolas e desta maneira, inspirar estudantes, comunidades e meio acadêmico.

Nos últimos dois anos, havia candidatos finalistas do Brasil, mas agora em 2019, a surpresa é que são dois os escolhidos: Débora Garofalo, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Almirante Ary Parreiras, de São Paulo, e Jayse Ferreira, da Escola de Referência de Ensino Médio Frei Orlando, de Itambé, no Pernambuco.

Débora superou a infância pobre e o preconceito de seguir o sonho de lecionar. Trabalhando em uma escola próximo a quatro favelas, na zona sul da capital paulista, ela se deu conta de que os alunos não estavam recebendo a educação que deviam na área de tecnologia para poderem ter alguma chance competitiva na carreira profissional futura.

Através do projeto Junk Robotics, a professora envolveu os alunos na coleta e uso de resíduos para a produção de protótipos, utilizando conceitos de Física e Eletrônica, e com isso, os fez descobrir um potencial que até então eles desconheciam.

Mais de 700 kg de resíduos foram reciclados e transformados em aparelhos de refrigeração, robôs, veículos e helicópteros.

O projeto desenvolvido por Débora se tornou referência para as escolas municipais de São Paulo e desde então, ela treina outros professores a implementarem o programa.

Assim como a educadora paulista, Jayse Ferreira cresceu em uma ambiente cercado por violência e pobreza, no sertão pernambucano. Filho de cortadores de cana-de-açúcar, ambos eram analfabetos, todavia – ou talvez, justamente por esta razão -, sempre ressaltaram a importância da educação.

Professor de Educação Artística, Jayse se deu conta de que era preciso fazer com que o currículo escolar fosse mais atraente para os adolescentes. Decidiu incluir em suas aulas algo que realmente interessasse à nova geração: mídia social e games. Instigados a criar curta-metragens, os estudantes aprenderam desde conceitos (e prática) de redação de roteiros e confecção de figurinos até edição de imagens e inserção de efeitos visuais.

Em menos de uma semana, o vídeo feito pelos alunos de Jayse, inspirado na série Harry Potter, foi visto por mais de 20 mil pessoas no YouTube.

Entre os resultados do projeto concebido pelo docente pernambucano estão o aumento de alunos que seguem para a universidade e a redução da evasão escolar. Ele foi já premiado nacionalmente pela iniciativa: recebeu a Medalha de Honra ao Mérito do Prêmio Paulo Freire e ganhou o título de “Melhor Professor do Brasil”, em 2017, na categoria Tecnologia.

No mês que vem, o Global Teacher Prize vai anunciar quem serão os dez finalistas. Os brasileiros foram selecionados entre 10 mil candidatos, de 179 países.

O grande vencedor do prêmio ganhará US$ 1 milhão. O resultado será divulgado em março, em uma cerimônia em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Fotos: arquivo pessoal/reprodução Facebook e divulgação Global Teacher Prize

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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