Dois filhotes de guepardo são os primeiros do mundo a nascer através de fertilização in vitro

Dois filhotes de guepardo são os primeiros do mundo a nascer através de fertilização in vitro

Como contou o biólogo Fábio Paschoal, neste outro post aqui no Conexão Planeta, o guepardo (Acinonyx jubatus), o mamífero terrestre mais rápido do mundo*, estava perdendo a corrida contra a extinção. Na época, um estudo publicado no periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences, mostrava que a população do felino, que era de 100 mil animais no final do século 19, tinha caído para 7.500 indivíduos.

Mas no último dia 19 de fevereiro, uma parceria entre diversas entidades de conservação conseguiu um avanço científico considerado espetacular. Dois guepardos nasceram, através do processo de fertilização in vitro e transferência de embriões, no Columbus Zoo and Aquarium, em Ohio, nos Estados Unidos.

Os filhotes são um macho e uma fêmea. O primeiro nasceu pesando aproximadamente 480 gramas e sua irmã, 350 gramas. Testes iniciais indicaram que ambos são saudáveis e se alimentando bem.

“Esses dois filhotes podem ser pequenos, mas representam uma grande conquista, com biólogos e zoólogos especialistas trabalhando juntos para criar essa maravilha científica”, celebrou Randy Junge, vice-presidente de saúde animal do zoológico de Columbus. “Essa conquista expande o conhecimento científico da reprodução de guepardos e pode se tornar uma parte importante do manejo populacional da espécie no futuro”.

Dois filhotes de guepardo são os primeiros do mundo a nascer através de fertilização in vitro

No processo in vitro, espermatozóides e óvulos são fertilizados em laboratório e depois incubados para criar embriões. Posteriormente, esses últimos são implantados no útero da mulher, onde podem se transformar em fetos. A fertilização in vitro tornou-se um processo mais comum em humanos, mas já conseguiu ser bem sucedida em espécies animais, como em leões e agora, no caso dos guepardos.

O macho e a fêmea nascidos no zoológico de Ohio são filhos biológicos da guepardo Kibibi, mas foram concebidos por Izzi. Kibibi recebeu aplicações de hormônio em novembro do ano passado. Após o procedimento, seus óvulos foram coletados e fertilizados com o esperma de Slash, um guepardo do Fossil Rim Wildlife Center, do Texas. Mais tarde, o embrião foi implantado em Izzi, que depois de três meses de gestação, deu à luz.

Os veterinários envolvidos no procedimento explicam que, depois de passarem dos oito anos de vida, as fêmeas da espécie têm suas chances de reprodução bastante reduzidas. Kibibi tem seis anos e meio e Izzi, três, por isso ela foi escolhida para ser a “barriga solidária”, por apresentar melhores condições físicas de manter a gestação até o final.

“O nascimento oferece à comunidade de conservação de guepardos outra ferramenta a ser usada no manejo da espécie, in situ e ex situ. Realmente abre as portas para muitas novas oportunidades que podem ajudar sua população mundial. Esta é uma grande vitória para os guepardos”, disse Jason Ahistus, curador do Fossil Rim Wildlife Center Carnivore.

O futuro dos guepardos

O sucesso do projeto envolveu a cooperação entre o centro de vida selvagem do Texas, o zoo de Ohio e também, o Smithsonian’s National Zoo e o Conservation Biology Institute, de Front Royal, na Virgínia.

De acordo com a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), os guepardos são classificados como “vulneráveis” pela Lista Vermelha de Animais Ameaçados, que avalia as condições de sobrevivência de centenas de animais e plantas no planeta.

Entre as principais ameças enfrentadas por esses felinos estão a perda e fragmentação de habitats, conflitos com criadores de animais e caça, bem como turismo não regulamentado.

A tentativa de reprodução de guepardos usando fertilização in vitro já acontece há 15 anos. Outras duas tentativas foram feitas, mas falharam.

*O guepardo pode atingir uma velocidade de 110 km/hora

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Fotos: divulgação Columbus Zoo and Aquarim/Grahm S. Jones

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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