Do Sul para a minha vida: o jeito certo de comer pinhão, o descascador de pinhão e meu marido

pinhão

O pinhão é um desafio. A pinha, lá no alto da araucária, exige uma escalada profissional para a colheita. Quem sabe subir o pinheiro, se amoita nos galhos e corta a fruta, que cai no chão. A fruta é aberta e oferece um punhado de sementes, o pinhão da temporada. Uma casca bonita, de cor vinho, facinha de ser aberta por esquilos, paca, papagaio, bichos do mato. Mas, pra nós, ô dificuldade.

Durante muito tempo, enquanto não morei em Curitiba, abria o pinhão cozido com uma faquinha. Ficava com as unhas sujas, com resquício da casca escura do pinhão. Chegar à maciez do miolo não era fácil. Já falei que pinhão é um desafio…

Aí, numa festa junina em Curitiba, veio a informação que mudou a minha vida e facilitou a degustação. Pega o pinhão cozido, morde forte no fundinho, aperta e ele sai inteirinho, dentro da boca. Perfeito.

Mas, olha o desafio de novo: e pra cozinhar com o pinhão? Fazer farinha, fazer estrogonofe, como indica meu amigo curitibano Herivelto Oliveira, fazer pão, farofa. Voltei à faquinha. Até que – olha o Sul me salvando outra vez – viajei para Canela na Páscoa (a Páscoa no Sul é outra história), e descobri uma ferramenta que tornou mais fácil inserir pinhão em receitas. Um dispositivo para abrir pinhão, em alumínio fundido, com o formato do pinhão. Dá um trabalhinho abrir um a um. Só que muito menos trabalho do que usar a faquinha. E, que delícia ter um trabalhinho para o resultado que você quer na cozinha . Daí saiu um pão com pinhão, que, atendendo a pedidos, vou publicar a receita aqui.

Não tem segredo. É só misturar o pinhão cozido e triturado à massa de pão. Imagina morder um pedaço de pão caseiro e encontrar aquela maciez do pinhão dando graça ao pão nosso de cada dia. Uma delícia. Aliás, fazer seu próprio pão, com ou sem pinhão, é uma dádiva em qualquer tempo.

P S: para justificar o título: entre a descoberta de como comer pinhão e a aquisição da ferramenta, conheci meu marido, que é gaúcho, e grudei nele. Só isso.

PÃO DE PINHÃO

INGREDIENTES

200 g de pinhão cozido, descascado e picadinho
30 g de fermento biológico
1 copo de leite
1 copo de água
1 colher de açúcar mascavo
1/2 colher de sal
farinha de trigo branca e integral (mais ou menos 800 g no total)
2 ovos
2 colheres (sopa ) de manteiga ou 5 colheres (sopa) de azeite

*Sugestão: passe o pinhão por um processador. Para dar mais sabor, tempere com azeite, orégano ou alecrim secos e uma pitadinha de sal.

MASSA
Passo 1
30 g de fermento biológico
1 copo de leite
1 copo de água
1 colher (sopa) de açúcar mascavo
1/2 colher (sopa) de sal
farinha de trigo branca

Dissolva o fermento biológico, no leite e na água, acrescente o açúcar mascavo e o sal. Vá acrescentando farinha de trigo branca até chegar a um ponto de pasta, uma massa mole. Deixe descansar até borbulhar. É o fermento sendo ativado (eu costumo ativar o fermento com a farinha branca).

Passo 2
2 ovos
2 colheres (sopa ) de manteiga ou 5 colheres (sopa ) de azeite
farinha de trigo (branca ou integral)

Misture à massa os ovos, a manteiga ou o óleo. Vá adicionando farinha de trigo aos poucos (aqui eu já acrescento a farinha de trigo integral, a cor do pão fica mais bonita). Amasse até chegar a uma massa homogênea, macia, que desgrude das mãos. Molde em formato de bola e deixe num recipiente, coberto com pano úmido, protegido de luz, até que dobre de tamanho.

Sove esta massa, delicadamente, acrescente o pinhão, e o incorpore à massa e modele como quiser: filão, bolinhas, circular.

Deixe descansar no formato escolhido por mais alguns minutos para que cresça novamente e em seguida, leve ao forno quente.

O pão vai ganhar uma cor dourada. Para verificar se está bem assado, bata na superfície com um garfo ou colher de pau. Se ouvir um som oco, está assadinho.

Fotos: domínio público/pixabay (abertura) e demais arquivo pessoal 

Mulher de marido, mãe de filho, madrasta de enteados. Começou a carreira profissional vendendo pinga e pão com mortadela na venda dos pais, em Minas. Foi bancária, revisora de jornal, rádio escuta, repórter, editora e apresentadora de TV. Hoje é especializada em media training, com foco para entrevistas em TV e vídeo. Fez jornalismo na PUCCAMP, pós graduação em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas na USP e Análise do Discurso na PUC SP. Tudo isto sem tirar o pé da cozinha

Cássia Miguel

Mulher de marido, mãe de filho, madrasta de enteados. Começou a carreira profissional vendendo pinga e pão com mortadela na venda dos pais, em Minas. Foi bancária, revisora de jornal, rádio escuta, repórter, editora e apresentadora de TV. Hoje é especializada em media training, com foco para entrevistas em TV e vídeo. Fez jornalismo na PUCCAMP, pós graduação em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas na USP e Análise do Discurso na PUC SP. Tudo isto sem tirar o pé da cozinha

Um comentário em “Do Sul para a minha vida: o jeito certo de comer pinhão, o descascador de pinhão e meu marido

  • 1 de junho de 2018 em 12:53 PM
    Permalink

    Gostosura este seu post! Já experimentou pinhão na chapa? É uma delícia indescritível e para abrir é só dar uma pancada com algum tipo de material duro (usamos uma pedra) e está lá! Gostosíssimo!

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