Do lado de fora é bem melhor

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Desde que voltei da Inglaterra, tenho realizado encontros e conversado com muita gente sobre a experiência que vivi nas Escolas da Floresta. Por essas rodas de conversa passaram educadores, pais, jornalistas, arquitetos, psicólogos, entre outros profissionais. Pessoas das mais diversas áreas e instigadas a participar por inúmeros motivos, o que torna a troca de experiências permeada por uma diversidade de olhares. Assim, cada conversa é única, mesmo que o conteúdo seja o mesmo – a vivência nas escolas da floresta – e sinto que gera um grande movimento nas pessoas.

Deixo claro que, no projeto Ser Criança é Natural, nosso objetivo com essas conversas não é criar várias escolas desse tipo aqui no Brasil (mesmo que isso fosse incrível e bastante ambicioso). O que queremos é disseminar a ideia de que estar do lado de fora e em contato com a natureza é possível, desejável e que há experiências lindas pelo mundo que comprovam isso. E mais: que podemos fazer isso acontecer aqui, não importa a estrutura disponível.

Muito mais do que as florestas, os adultos precisam enxergar os espaços das escolas, das cidades, da vida e sua relação com as crianças. Precisam enxergar o que está ao nosso lado todos os dias e fazer pequenas mudanças no cotidiano. Parece pouco, no início, mas mesmo que sutil o impacto é poderoso: é aí que começa uma revolução.

Durante um ano, trabalhei em uma escola onde a área verde disponível era um corredor com pouco mais de 1 metro de largura, que as crianças chamavam carinhosamente de floresta. Todas as vezes que penso nesse exemplo, reflito sobre como as crianças podem ver a grandiosidade da floresta em uma única árvore. E elas estão certas! O escritor e poeta Manoel de Barros escreveu – e a infância continua reafirmando: “Meu quintal é maior que o mundo”.

Por esse motivo, me emocionei tanto ao receber a mensagem de uma professora que decidiu usar botas de caminhada no trabalho para se sentir mais livre para explorar o terreno da escola. Também fiquei encantada com a mensagem de um grupo que está preparando a programação da Semana Mundial do Brincar (realizada pela Aliança pela Infância no Brasil e que acontece agora, no fim de maio), que poderá ser realizada toda na praia e com brincadeiras onde a relação entre crianças e natureza são o principal norte.

Então, este é o meu convite: parem e reparem no seu cotidiano e comecem essa pequena – mas potente – revolução: vamos já pra fora!

Foto: Renata Stort

É pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica. Participa de diversas formações sobre primeira infância, brincar e arte para crianças e coordena o programa Ser Criança é Natural (que dá nome a este blog), do Instituto Romã, que incentiva o contato das crianças com a natureza. Organiza a ação Doe Sentimentos e acredita no poder da infância e que o mundo pode ser melhor.

Ana Carol Thomé

É pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica. Participa de diversas formações sobre primeira infância, brincar e arte para crianças e coordena o programa Ser Criança é Natural (que dá nome a este blog), do Instituto Romã, que incentiva o contato das crianças com a natureza. Organiza a ação Doe Sentimentos e acredita no poder da infância e que o mundo pode ser melhor.

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