Diretor de escola pública do interior paulista é finalista do Global Teacher Prize, o “Nobel” da Educação

Diretor de escola pública do interior paulista é finalista do Global Teacher Prize, o “Nobel” da Educação

O brasileiro Diego Mahfouz Faria Lima, diretor da Escola Municipal Darcy Ribeiro, em São José do Rio Preto, São Paulo, foi anunciado esta semana como um dos dez finalistas do Global Teacher Prize, premiação anual, criada em 2014, pela Varkey Foundation. O prêmio, considerado um Nobel da Educação, tem como objetivo valorizar a profissão de professores e gestores, reconhecendo práticas inovadoras e exemplares nas escolas e desta maneira, inspirar estudantes, comunidades e meio acadêmico.

Este ano, a competição recebeu a inscrição de 30 mil educadores, de 173 países. Entre diversos critérios de avaliação, os finalistas foram selecionados, principalmente, a partir de sua habilidade em inspirar os estudantes a aprender e os resultados concretos obtidos na sala de aula.

Diego foi escolhido devido ao seu projeto “Minha escola: reconstrução coletiva“. Quando chegou na Escola Darcy Ribeiro para ser diretor, ela era considerada uma das piores do estado. Segundo ele, as salas de aula estavam pichadas e algumas, incendiadas. Já havia acontecido vários casos de violência no local. “No meu primeiro dia de trabalho, colocaram fogo no banheiro, jogaram água e maçãs em mim”, relembra. “Minha atitude simplesmente foi dizer que confiava neles, que eu não ia embora e queria ouvi-los”.

Os relatos dos alunos eram que a escola era muito feia e punitiva. Pois Lima decidiu mudar isso. Mesmo com pouquíssimos recursos financeiros, com a ajuda da comunidade, o diretor reformou a escola. “Os pais estiverem presentes e com isso, surgiu um sentimento de pertencimento e respeito entre os estudantes”, diz.

Um local utilizado para consumo de drogas foi revitalizado e transformado em praça de leitura. E através do trabalho direto de Diego como mediador de conflitos, ele conseguiu reduzir a evasão escolar e o bullying.

Graças ao seu esforço, dedicação e persistência, após 1 ano e quatro meses, o diretor da escola municipal paulista começou a colher os resultados de sua gestão participativa e democrática.

Em 2015, Diego já havia recebido o Prêmio Educador Nota 10, iniciativa da Fundação Victor Civita e da Fundação Roberto Marinho, que reconhece o trabalho dos melhores professores e gestores do país.

O grande vencedor do Global Teacher Prize ganhará 1 milhão de dólares. O resultado será divulgado no dia 18 de março, em uma cerimônia em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde o educador de São Paulo estará presente.

Diego concorre ao prêmio com outros nove finalistas: Nurten Akuuş, da Turquia, Marjorie Brown, da África do Sul, Luis Miguel Bermudez Gutierrez, da Colômbia, Jesus Insilada, das Filipinas, Glenn Lee, dos Estados Unidos, Koen Timmers, da Bélgica, Andria Zafirakou, do Reino Unido, Barbara Zielonka, da Noruega e Eddie Woo, da Austrália.

Este é o terceiro ano consecutivo que um brasileiro fica entre os dez finalistas ao prêmio internacional de educação. Em 2016, o professor do Mato Grosso, Márcio Andrade Batista, concorreu ao Global Teacher Prize, como noticiamos aqui.

No ano passado, foi a vez do professor capixaba, Wemerson da Silva Nogueira, de 26 anos, ficar entre os dez finalistas.

O trabalho desses profissionais é realmente inspirador, principalmente em um país, com seríssimos problemas na área de educação e que, infelizmente, ainda não os valoriza e nem os remunera da maneira adequada. Parabéns a eles!

 

Foto: divulgação/Fernando Gazinhato

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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