Dinamarca quer alimentos com rótulos sobre impacto ao meio ambiente e ao clima

Dinamarca quer alimentos com rótulos sobre impacto ao meio ambiente e ao clima

O governo dinamarquês começou a discutir uma proposta esta semana que pode fazer com que a população saiba exatamente o impacto daquilo que come sobre a natureza e as mudanças climáticas.

A iniciativa tem o apoio do Conselho de Agricultura e Alimentos da Dinamarca, organização da indústria alimentícia do país, que acredita que a medida pode colaborar para melhorar as práticas da agricultura que têm um efeito mais positivo sobre o clima.

“Todo mundo sabe que a produção de alimentos afeta o clima, mas se todos cultivassem como nós fazemos aqui na Dinamarca, o mundo seria um lugar melhor”, diz Morten Hoyer, diretor do conselho.

Os escandinavos estão entre os mais avançados do mundo na questão da sustentabilidade. Em 2016, a Dinamarca anunciou o investimento de milhões para dobrar a produção de orgânicos até 2020. Os dinamarqueses são os maiores consumidores globais de alimentos sem agrotóxicos e na época, planejavam aumentar ainda mais a área de produção de plantio de orgânicos.

Há dez anos o país já trabalha com a Comunidade Europeia para tentar implementar um rótulo que mostre o impacto da produção de um alimento sobre o meio ambiente e seu papel nas mudanças climáticas. Mas certamente não será fácil desenvolver o modelo.

Hoyer explica, por exemplo, que é preciso levar em conta também o valor nutricional dos produtos. No caso de um refrigerante, sua fabricação pode não ter uma influência grande sobre o meio ambiente, mas ele não adiciona nada à dieta alimentar das pessoas, pelo contrário.

Mas não há dúvidas sobre a responsabilidade de alguns setores sobre o aquecimento global. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, a pecuária representa 14,5% de todas as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera feitas pelo ser humano. Entre suas principais consequências está o estímulo ao desmatamento.

É preciso levar em conta ainda outros fatores: o quanto de pesticida é utilizado para o cultivo de certo produto ou quanto água ele consome para ser produzido.

Com um consumidor mais bem informado, certamente suas escolhas serão diferentes na hora de decidir o que levar para a mesa. Ele poderá comer com a consciência limpa de que o alimento escolhido não ajuda a destruir ecossistemas e levar à extinção espécies de animais.

*Com informações da CNN Environment 

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Foto: domínio público/pixabay

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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