Dieta mediterrânea reduz risco de depressão, enquanto consumo de junk food aumenta incidência da doença


Dieta mediterrânea reduz risco de depressão, enquanto consumo de junk food aumenta incidência da doença

Pizza, hamburguer, batata frita, nuggets, milk shake … Delícia, né? Mas o sinal alerta foi ligado, novamente, para o consumo exagerado deste tipo de “comida”.

Um artigo divulgado na semana passada na seção Molecular Psychiatry, da renomada revista Nature revela que o tipo de dieta alimentar pode influir no desenvolvimento da depressão, um dos mais graves problemas em países em desenvolvimento. A doença psiquiátrica afeta milhões de pessoas no mundo todo e é um dos principais gastos dos sistemas públicos de saúde. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o custo da depressão é de US$ 1 trilhão por ano.

Uma equipe de pesquisadores da Austrália, Inglaterra e Espanha analisou 41 estudos sobre o tema. A conclusão dos cientistas é de que ingestão frequente das chamadas junk food ou fast food, ou seja, alimentos ultraprocessados, ricos em sal, açúcar, gorduras saturadas e pobres em fibras aumenta a chance do desenvolvimento da depressão.

Os pesquisadores explicam que esses “alimentos” podem provocar uma inflamação sistêmica, que não afetaria somente o intestino e o estômago, mas também, o cérebro – mais especificamente, as moléculas neurotransmissores, responsáveis pela regulação do humor. O efeito seria o mesmo daquele causado pela exposição à poluição, pelo fumo ou pela falta de exercício físico.

Por outro lado, a adesão à dieta mediterrânea, a base de frutas, legumes, cereais, nozes, peixe, azeite de oliva e laticínios reduz os riscos do aparecimento da doença. A pesquisa indicou que pessoas que comem estes tipo de alimentos, que possuem entre outros nutrientes, a presença de vitamina B, zinco e magnésio, apresentam uma chance 33% menor de ter depressão.

“Há uma evidência muito forte que mostra a relação entre a qualidade da sua dieta e sua saúde mental”, afirma Camille Lassale, pesquisadora do University College of London e principal autora do estudo. “Esta relação vai além do impacto da dieta sobre o peso e pode realmente influenciar o seu humor”.

Os principais sintomas da depressão são insônia, falta de apetite, desânimo e a perda de interesse ou prazer em fazer atividades diárias. No mundo inteiro, mais de 300 milhões de pessoas sofrem com o mal. Em geral, as mulheres são mais afetadas do que os homens. Infelizmente, nem sempre o tratamento medicamentoso dá resultado e com frequência, os pacientes têm recaídas.

É importante ressaltar que há cura. Por isso, caso você sinta algum dos sintomas citados acima, procure seu médico!

Fique longe do junk food

Em janeiro deste ano, já haviamos divulgado aqui, no Conexão Planeta, outro estudo que apontava que o sistema imune reage ao consumo de fast food de maneira similar a uma infecção bacteriana.

Durante um mês, um grupo de ratos foi alimentado somente com uma dieta a base de fast food. Como consequência, os animais desenvolveram uma resposta inflamatória em seu sistema imune, como se tivessem tido uma infecção provocada por uma bactéria perigosa.

A constatação dos pesquisadores é que o corpo dos ratos reagiu de maneira agressiva à ingestão de comidas gordurosas e com muito açúcar. O que surpreendeu ainda mais os cientistas foi perceber que, mesmo após o retorno à dieta normal dos roedores, baseada em cereais, o sistema imune dos mesmos demorou muito tempo para voltar ao normal. Isso significa que os prejuízos à saúde decorrentes de uma dieta pobre em alimentos saudáveis pode ter um impacto de longo tempo no organismo.

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Foto: domínio público/pixabay

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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