Dia Internacional da Mulher será feriado em Berlim, na Alemanha

A partir do próximo mês, o dia 8 será de folga, de celebração, de reflexão e não de trabalho na capital alemã, , a primeira cidade a adotar tal distinção. Assim, a proposta lançada pelo prefeito de Berlim, Michael Müller, foi aprovada por 87 votos (60 contra), em 24 de janeiro, a partir de uma emenda à legislação local, a medida torna feriado o Dia Internacional da Mulher. Ela foi apresentada por uma coalizão formada pelo Partido Social Democrata (SPD), A Esquerda e o Partido Verde.

E, assim, os berlinenses agora têm dez dias de folga por ano, ainda menos do que os outros dezesseis estados alemães, como a Baviera, que tem 13 feriados anuais. Mas, apesar da vitória, a medida não agradou muita gente no Congresso. Parlamentares da União Democrata Cristã (CDU), o partido da chanceler federal Angela Merkel, e também do Partido Liberal Democrático (FDP) e do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) estão entre esses.

Para Stefan Evers, líder estadual da CDU, a medida é “profundamente reacionária”. Por isso, seu partido pediu para que a votação fosse feita nominalmente.

Entre os apoiadores, Derya Caglar, porta-voz de política igualitária do SPD. declarou: “É um grande sinal de que estamos progredindo no caminho da igualdade entre mulheres e homens”. E porquê é tão importante transformar o Dia Internacional da Mulher em feriado? A deputada Ines Schmidt, de A Esquerda, respondeu. “O novo feriado tem como objetivo lembrar, de uma maneira especial, as injustiças cometidas contra as mulheres“.

Afinal, não pode ser em vão a criação desse dia no final do século XIX nos Estados Unidos e na Europa no contexto das reivindicações pelos direitos da mulher, pelo direito ao voto e também pela melhoria das condições de trabalho.Na Alemanha Oriental, ela foi adotada em 1947, mas na Ocidental somente nos anos 1970. A data foi celebrada pela ONU, pela primeira vez, em 1975, Ano Internacional das Mulheres. Mas foi só em 1977 que a Assembleia Geral da ONU reconheceu o dia 8 de março como o Dia dos Direitos da Mulher e da Paz Mundial.

Não se trata de mais um dia de folga, como explicou Nina Stahr, líder do Partido Verde. “É importante para nós que o dia continue sendo político. Enquanto os direitos e a representação iguais não forem completamente alcançados, nós, os Verdes, não apenas celebraremos o 8 de março, mas, sim, tomaremos as ruas e lutaremos por uma sociedade mais justa”.

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O capitalismo não gosta de feriado

Obviamente a medida não encontrou resistência e falta de apoio somente entre alguns parlamentares. Os empresários e o setor econômico em geral reclamaram da adoção de mais um dia de folga no calendário berlinense. Eles disseram que essa mudança representa uma redução de 0,3% para a economia da cidade, de acordo. com números da Câmara de Comércio e Indústria local. 

Christian Amsinck, diretor-executivo das associações empresariais de Berlim-Brandemburgo, reforça essa ideia, dizendo que a cidade-estado está abrindo mão de 160 milhões de euros, o que resultará num montante ainda maior para a média nacional. E ele ainda chama a atenção para outro detalhe: Berlim já recebe 4,4 bilhões de euros do governo federal para se equilibrar financeiramente, então, em vez de criar um feriado, deveria se empenhar para melhorar seu poder econômico, “deixando de ser tão dependente de subsídios federais”.

Fonte: DW

Foto: Rahman, Aliança/Divulgação

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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