‘Dia das Mães’ com mais empatia e menos consumo

Datas comemorativas movimentam o comércio. Dia das mães, dos pais, dos avós, dos namorados, natal… é tanto dia pra comemorar e incentivar o consumismo que até assusta.

Como já fiz outras vezes, quero aproveitar o dia das mães pra chamar um pouco a atenção para esse consumismo ao qual somos incentivados praticamente em todos os meses do ano.

Há muitas formas de presentear alguém que amamos. A minha maneira de comemorar o dia das mães, por exemplo, é preparando o almoço da família. Esse é o presente que dou para minha mãe e todos que estão em nosso entorno.

Mas se você não consegue pensar em algo que possa realizar ou construir, num desses presentes que não tem relação com o consumo, mas com o afeto, sempre há modos de presentear que ajudam a girar cadeias produtivas que geram renda e trabalho para diversas comunidades e grupos da economia solidária.

Feiras de economia solidária estão presentes em muitas cidades pelo país. Lá possivelmente você encontra presentes para todos os tipos de mãe, como roupas, acessórios, objetos de decoração e até mesmo conservas e alimentos. Em São Paulo, por exemplo, recomendo os Pontos de Economia Solidária no Butantã e na Praça Benedito Calixto.

Outra possibilidade é valorizar a agricultura familiar e o extrativismo. Uma dica, aqui em São Paulo também, é passar no Mercado de Pinheiros para comemorar os 22 anos do Instituto Auá, no dia 11 de maio. Levar sua mãe para participar dessa verdadeira festa da Mata Atlântica, quando serão também realizadas oficinas e promovidas degustações e distribuição de mudas nativas, já é uma experiência e tanto.

Mas lá também você encontra os boxes dos biomas brasileiros, que comercializam produtos de diversas partes do país, sempre envolvendo comércio justo e valorização das comunidades envolvidas em suas cadeias produtivas. Tem pimenta Baniwa, café Apuí, cogumelos Yanomami, mel e outros produtos da Floresta Amazônica, por exemplo. Cito esse bioma porque é o que tem me mobilizado mais nos últimos meses, mas os boxes dos outros também estão recheados de produtos cheios de história.

E comprar diretamente de quem produz, fugindo de grandes marcas, é também uma boa opção. No dia 11, na Vila Mariana, acontece mais uma edição da feira Mixtura Criativa. Realizada ao ar livre, reúne cerca de 50 marcas autorais de moda, arte, decoração, botânica, bem-estar, dentre outros atrativos.

No centro da capital paulista, o Galpão Jardim Secreto é outra dica nessa direção. São marcas que participam da Feira Jardim Secreto – evento que já abordei aqui – e que oferecem boas opções de presentes. Quase ao lado, também na rua Major Sertório, está localizado o Instituto Feira Livre, que além dos alimentos orgânicos para o almoço, oferece bebidas, cafés e outros itens também produzidos por comunidades, assentamentos e agricultores familiares.

O consumo pode ser transformado em ato afetivo, com propósito, e até mesmo revolucionário, dependendo da experiência escolhida. E que presente pode ser melhor do que esse?

Se você não é de São Paulo e tem dicas valiosas como estas que cito aqui, indique nos comentários abaixo. Ou compartilhe nas páginas do Conexão Planeta no Facebook, no Twitter, no Instagram….

Foto: Guus Baggermans/Unsplash

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colabora com a revista Página 22, da FGV-SP e com a Plataforma Parceiros Pela Amazônia, e atua nas áreas de meio ambiente, investimento social privado, economia solidária e negócios de impacto, linkando projetos e pessoas na comunicação para um mundo melhor

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