Dia da Sobrecarga da Terra: recursos naturais do planeta para 2019 se esgotaram hoje!

Dia da Sobrecarga da Terra: recursos naturais do planeta para 2018 se esgotam neste 1º de agosto!

Imagine se, no lugar do seu salário mensal, você recebesse um anual. E hoje, no dia 29 de julho, ele acabasse. Isso mesmo, saldo zero, sem nenhum centavo a mais para gastar e pagar suas contas. Que desespero, não?!

Usei a analogia para explicar o que está acontecendo com a Terra. Nosso lar. Ou melhor, a maneira como a estamos tratando. Em 2019, já utilizamos nosso orçamento de recursos naturais para este ano. Ou seja, já usamos nestes últimos sete meses de 2019  – e com cinco ainda faltando para terminar o ano -, toda a água, energia, minerais e vegetais que o planeta tem capacidade para produzir e renovar no período de 365 dias. Estamos no vermelho!

Ano a ano, o chamado Dia da Sobrecarga da Terra acontece mais cedo. Em 2018, ele ocorreu em 31 de julho, em 2017, a data foi em 2 de agosto, em 2016, dia 8. No ano anterior, 13, em 2014, 19 e em 2013, 20.

Um dado assustador é comparar quando esse dia caiu em décadas passadas. Em 1971, foi em 21 de dezembro!

O Dia da Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day, em inglês) é calculado desde 1969 pela organização internacional sem fins lucrativos Global Footprint Network (GFN).

Os mais “gastadores” da Terra

Segundo os cálculos realizados por especialistas, atualmente a humanidade usa os recursos equivalentes de 1,75 planetas Terra. O impacto desse excesso fica cada vez mais evidente no mundo, sob a forma de desmatamento, erosão de solos, perda de biodiversidade e acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera, levando a alterações climáticas e a secas, incêndios e furacões cada vez mais graves.

“Para a economia, isso significa grandes prejuízos e maiores riscos aos investimentos. Para as pessoas, significa preços mais altos dos alimentos, maiores chances de contrair doenças e perda de bens e de vidas. Na prática, estamos deixando o mundo mais poluído, mais inóspito e mais pobre em biodiversidade”, sintetiza Renata Camargo, especialista em Conservação do WWF-Brasil.

Pelo gráfico acima, é possível comparar como diferentes países são responsáveis pela exploração em excesso dos recursos naturais da Terra. No topo da lista, aparece os Estados Unidos, que com o estilo atual de vida de seus habitantes, precisaria de cinco planetas para atender a demanda de suas necessidades. O Brasil surge em 13º lugar no ranking: também usamos mais do que a capacidade de regeneração da Terra.

“Há uma percepção equivocada, compartilhada por alguns, de que o Brasil é país que mais preserva o ambiente no planeta e que não teríamos qualquer problema nesse aspecto. No entanto, vamos entrar no cheque especial dos recursos naturais praticamente junto com o restante do mundo. Temos muito o que fazer, a começar por implementar com mais rigor as regras de proteção ambiental que construímos ao longo das últimas décadas, as quais ainda são muito frequentemente deixadas de lado”, alerta Raul do Valle, diretor de Justiça Socioambiental do WWF-Brasil. 

Os valores utilizados para calcular o Dia da Sobrecarga da Terra são obtidos a partir da comparação do consumo total da humanidade por ano (pegada ecológica) com a capacidade do planeta em recompor os recursos naturais renováveis por ano (biocapacidade). Para este cálculo, são usadas estatísticas das Nações Unidas.

#MudeAData: precisamos mudar nosso estilo de vida

Este ano, está sendo lançada também a campanha #MoveTheDate, #MudeAData, na tradução para o português. A ideia é acreditarmos que podemos mover a data do Dia de Sobrecarga da Terra para trás, 5 dias por ano. Com isso, a humanidade alcançaria a compatibilidade com os limites de um planeta antes de 2050.

Algumas das mudanças sugeridas pelo movimento, por exemplo, seria a substituição de 50% do consumo de carne por uma dieta vegetariana. Isso mudaria a data em 15 dias (dos quais, dez deles correspondem à redução das emissões de metano do gado).

Todas as recomendações estão associadas a cinco grandes soluções: energia, alimentação, cidades, população e planeta. Outras dicas são criar iniciativas no local de trabalho, reduzir o desperdício alimentar e exigir aos governos para gerirem os recursos naturais de forma responsável.

Imagens: JD Hancock/Creative Commons/Flickr e divulgação Global Network Footprint

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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