Dez novas espécies de aves são encontradas em ilhas remotas da Indonésia, na maior descoberta do século nessa área

Dez novas espécies de aves são encontradas em ilhas remotas da Indonésia, na maior descoberta do século nessa área

Aves são uma das espécies do mundo animal mais estudadas e conhecidas. Um dos motivos, óbvios, é que são fáceis de serem avistadas. Há cerca de 11 mil espécies de aves descritas pela ciência, mas apenas 161 delas nos últimos vinte anos, uma média de cinco ou seis, por ano, desde 1999.

Todavia, uma expedição de somente seis semanas, realizada por pesquisadores da National University of Singapore, junto com cientistas do Indonesian Institute of Sciences, conseguiu o feito de identificar, em três pequenas e remotas ilhas próximas à Sulawesi, na região de Wallacea, na Indonésia, cinco novas espécies de canto e outras cinco subespécies de aves.

A descoberta de um número tão expressivo de espécies, de uma única vez, e em uma área geográfica tão pequena, é considerada um marco dos últimos 100 anos.

Em artigo científico publicado na revista Science, os pesquisadores explicam porque acreditam que a região contenha uma biodiversidade tão rica.

“A profundidade do mar é um fator importante e negligenciado há muito tempo na determinação da distinção das comunidades terrestres de uma ilha. A Terra passa por períodos de ciclos glacial-interglaciais, levando à formação de pontes terrestres entre ilhas rasas durante as eras glaciais, permitindo que os animais selvagens das diferentes ilhas se cruzem. As ilhas do fundo do mar, que sempre foram isoladas, e as ilhas de alta altitude são mais propensas a abrigar o endemismo devido à ausência de conexões terrestres, mesmo durante os ciclos glaciais”, afirmam.

Dez novas espécies de aves são encontradas em ilhas remotas da Indonésia, na maior descoberta do século nessa área

Uma das espécies descoberta na ilha da Indonésia

O trabalho liderado pelo professor Frank Rheindt se concentrou nas ilhas Taliabu e Peleng, situadas na costa nordeste de Sulawesi, pois dados batimétricos indicam a presença de mar profundo entre essas ilhas e Sulawesi.

“Estudar as rotas e operações de expedições históricas de coleta e identificar lacunas têm sido uma abordagem proveitosa para identificar áreas focais em nosso caso. A descrição dessas muitas espécies de aves de uma área geograficamente limitada é uma raridade ”, celebrou Rheindt. “No futuro, o uso da história da terra e das informações batimétricas também pode ser aplicado a outros organismos e regiões terrestres, além do arquipélago indonésio, para identificar ilhas promissoras que potencialmente abrigam novas espécies a serem descobertas”.

Dez novas espécies de aves são encontradas em ilhas remotas da Indonésia, na maior descoberta do século nessa área

O pequeno pássaro de corpo avermelhado

Infelizmente, durante a expedição, a equipe de pesquisa descobriu que Taliabu e Peleng sofrem com o desmatamento de suas florestas. Não há praticamente nenhuma floresta primária de planície em ambas as ilhas, alertam os cientistas, e a maioria das florestas de montanhas foi afetada por alguma forma de exploração madeireira ou incêndios florestais.

“Embora a maior parte da avifauna que descrevemos pareça tolerar alguma forma de degradação de habitat e seja facilmente detectada em florestas e margens secundárias, algumas espécies ou subespécies estão sem dúvida ameaçadas pelos imensos níveis de perda de habitat nessas ilhas. Como tal, é necessária uma ação de conservação urgente e duradoura para que algumas das novas formas sobrevivam por mais de duas décadas após a data da descrição ”, ressalta Rheindt.

*Com informações da Universidade de Singapura

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Fotos: divulgação Universidade de Singapura/ James Eaton/Birdtour Asia

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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