Dez anos depois: o impacto dos smartphones sobre o planeta

Foi em 2007, que Steve Jobs apresentou ao mundo o primeiro modelo do iphone. O celular, que não era mais simplesmente um telefone móvel que simplesmente fazia ligações, lançava a tecnologia dos smartphones: aparelhos tão ou mais sofisticados do que os computadores que tínhamos em casa.

Apesar de não ter sido o primeiro, o smartphone da Apple foi o responsável por popularizar e revolucionar o mercado da telefonia móvel. Na última década, mais de 7 bilhões de celulares inteligentes foram vendidos no mundo. E só olhar para o lado, onde você estiver neste momento, e verá que dificilmente será possível encontrar uma pessoa que não esteja com o olhar para baixo, olhando para seu telefone.

Mas qual foi o impacto da produção em escala gigante de smartphones sobre o planeta? A organização internacional Greenpeace decidiu se debruçar sobre o tema ao elaborar o estudo “From Smarto to Senseless: The Global Impact of 10 Years of Smartphones” (De Inteligente para Sem Sentido: o Impacto Global dos 10 anos dos Smartphones, em tradução livre).

Ninguém discute os avanços trazidos pela nova tecnologia. Como diz o estudo, “há dez anos tirávamos fotos com câmeras, usávamos mapas de papel para planejar nossas viagens e entrávamos em contato com os amigos distantes através de simples mensagens de texto”. Entretanto, não é possível fechar os olhos para o impacto ambiental que os smartphones têm provocado. Parte deles, pela aparente falta de interesse da indústria em investir mais em reciclagem e no desenvolvimento de produtos duráveis.

No mundo inteiro, entre pessoas de 18 a 35 anos, duas em cada três têm um celular inteligente. Em 2007, 120 milhões de unidades destes aparelhos eram comercializadas. Em 2016, este número saltou para 1,4 bilhão. E a expectativa é que em 2020, sejam 6,1 bilhões, o que corresponde – inacreditavelmente -, a 70% da população global.

Em países como Estados Unidos, Coréia do Sul e Alemanha, 90% dos habitantes possui um celular de última geração.

Um dos problemas mais preocupantes do setor é justamente a vida útil destes aparelhos e a frequência com que eles são trocados. Os americanos compram um novo modelo de celular, em média, a cada dois anos, ou mais precisamente, 26 meses. A troca ocorre não porque o “antigo” está quebrado, mas porque o novo têm mais funcionalidades. O Greenpeace afirma que 80% das compras são feitas para adquirir um smarthphone mais moderno. Algumas operadoras oferecem, inclusive, os lançamentos de forma gratuita, estimulando assim, ainda mais o consumo.

Mas será que os consumidores realmente sabem o que está envolvido na produção de um smartphone? O relatório do Greenpeace destacou alguns pontos:

– Em lugares remotos do planeta, mineiros trabalham sob condições sub-humanas e miseráveis na extração de minérios – alumínio, ouro e cobalto -, utilizados como componentes na fabricação de telefones celulares. Em países como o Congo, esta atividade econômica está intimamente relacionada com os conflitos armados e a destruição da terra;

– Em países mais pobres e com fiscalização falha, trabalhadores em fábricas de celulares estão expostos a químicos perigosos, prejudiciais à saúde humana;

– Avanço de tecnologia e maior complexidade na produção de aparelhos implica em maiores gastos de energia, e com isso, o crescimento na emissão de gases poluentes, sobretudo, provenientes da queima do carvão, em locais como China e partes da Ásia;

– Falta de preparo da indústria para receber e reciclar aparelhos descartados só aumenta o acúmulo do chamado e-waste, o lixo eletrônico.

Infelizmente, o destino dado a muitos dos celulares sem uso ainda são os aterros sanitários. Em 2014, a produção de lixo eletrônico chegou a 42 milhões de toneladas no mundo. Só nos países asiáticos, o crescimento do mesmo foi de 63% nos últimos cinco anos. Ao despejar componentes eletrônicos em lixões, há um grande risco de contaminação do solo, ar e cursos d’água.

Dez anos depois: o impacto dos smartphones sobre o planeta

O estudo do Greenpeace salienta a necessidade da indústria em criar um modelo de economia circular. A única maneira de reduzir o desperdício de recursos naturais e diminuir o impacto ambiental do setor é fazer com que a vida útil dos aparelhos seja mais longa e componentes reciclados e reutilizados.

Para isso, é necessário que haja um esforço para o desenvolvimento de novos produtos, que incluam desde a escolha de materiais alternativos na fabricação até oportunidades mais amplas e fáceis de consertos e disponibilização de atualização de softwares para todos os modelos e não somente, os mais atuais.

Então, da próxima vez que você for trocar seu aparelho de celular, pense duas vezes. Será mesmo necessário?

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Foto: domínio público/pixabay e gráficos “From Smarto to Senseless: The Global Impact of 10 Years of Smartphones”

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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