Desmatamento no Cerrado sobe 9% em 2017

desmatamento no Cerrado

O desmate no Cerrado cresceu 9% no ano passado em relação a 2016, mostram dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgados na quinta-feira (21/06), no Ministério do Meio Ambiente.

Em 2017, 7.408 quilômetros quadrados de savana tombaram diante da expansão da agropecuária no Brasil, contra 6.777 quilômetros quadrados em 2016. Para comparação, em 2017 a Amazônia perdeu 6.947 quilômetros quadrados – cerca de 6,5% menos do que o cerrado.

O dado parece uma péssima notícia, e é. Mas há um lado positivo: pela primeira vez, agora, é possível comparar os números da destruição na savana mais biodiversa do mundo de um ano ao outro. Esses dados integram o Prodes do Cerrado, um sistema de monitoramento que vinha sendo prometido pelo governo desde 2009. As séries anuais estão disponíveis na internet, no site do Inpe. A entidade também passa a monitorar o Cerrado diariamente, com o sistema Deter B, já usado na Amazônia e cuja resolução permite antecipar com muito mais precisão qual será a taxa anual de desmatamento.

Na Amazônia, o Deter A, versão mais “míope” do sistema de detecção em tempo real, ajudou a reduzir as taxas de desmatamento a partir de 2005, informando a fiscalização do Ibama. Com o Deter B no cerrado, o órgão ambiental poderá enxergar desmatamentos ilegais com precisão e mandar as multas aos infratores pelo correio – como ocorre com multas de trânsito e como já acontece em certa medida na Amazônia.

Mesmo com o aumento em 2017, o Prodes do Cerrado mostra que a devastação no bioma caiu em relação a 2015: naquele ano, foram destruídos 11.881 quilômetros quadrados, o que mostra uma queda acumulada de cerca de 40% nos últimos dois anos (43% em 2016 e 38% em 2017).

“São números expressivos [de redução], mas não representam conformismo em relação àquilo que estamos fazendo”, disse o ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte. Ele afirmou que o trabalho de fiscalização do desmatamento ilegal será ampliado, assim como o diálogo com o setor produtivo.

O monitoramento também confirma que o Cerrado vem sendo devastado muito mais rápido do que a Amazônia: desde 2005, quando a taxa de desmatamento amazônica começou a cair, a perda absoluta do cerrado foi 34% maior. Considerando a área remanescente de Cerrado, que é bem menor que a da Amazônia, a perda proporcional em relação ao que ainda existe de pé é pelo menos três vezes mais rápida.

O ministro do Meio Ambiente também destacou que o Brasil superou em 40% a meta de redução de desmatamento no Cerrado para 2020, dada pela Política Nacional de Mudanças Climáticas. Pela política, cujas metas foram anunciadas em 2009 na conferência do clima de Copenhague, o Brasil se comprometia a reduzir em 40% o desmatamento do cerrado até 2020 em relação à média de 1999 a 2008 (9.420 quilômetros quadrados).

A meta foi tesourada pessoalmente no dia de seu anúncio pela então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff: técnicos do governo propunham pelo menos 50% de redução. Como não existia monitoramento detalhado do bioma na época, a linha de base foi superestimada (15.400 quilômetros quadrados) e meta já havia sido quase cumprida no ano em que foi anunciada. Em 2009, como mostra a série do Prodes Cerrado, o desmatamento era de 10.055 quilômetros quadrados (queda de 36%), sem que nenhuma ação efetiva de controle tivesse sido adotada. Em 2011, a queda era de 39,5%, ou seja, a meta estava essencialmente atingida. A barreira dos 40% seria ultrapassada, com folga, em 2016 (queda de 57%).

*Texto publicado originalmente em 21/06/2018 no site do Observatório do Clima

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Foto: Secretaria de Agricultura e Abastecimento/Creative Commons/Flickr

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