Desmatamento na Amazônia em abril é 84% maior do que mesmo período do ano passado

Desmatamento na Amazônia em abril é 84% maior do que mesmo período do ano passado

Pelo segundo mês seguido, o Instituto Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) registrou em abril de 2018 o aumento da derrubada de floresta na Amazônia, em comparação ao mesmo mês do ano anterior.

Em relatório divulgado esta semana, o desmatamento na Amazônia Legal, área que compreende nove estados brasileiros e corresponde a quase 60% do território nacional, chegou a 217 km2 no mês passado. No mesmo período de 2017, ele havia sido de 97 km2. De acordo com o boletim, os principais responsáveis pelo desmatamento foram Mato Grosso (50%), Amazonas (23%), Pará (19%), Roraima (5%) e Rondônia (3%).

Os municípios que mais destruíram a floresta foram Lábrea (AM), Novo Progresso (PA) e Querência (MT).

Outro ponto que chamou a atenção dos pesquisadores foi a retomada do desmatamento dentro da Unidade de Conservação Flona do Jamanxim, no sudeste do Pará. Criada em 2006, a reserva de proteção fica a 1.600 km de Belém, entre os municípios de Itaituba e Trairão. Com 1.300 mil hectares, é habitat de espécies nativas da Amazônia. Foram detectados 18 km2 de desmatamento na região em abril.

Ainda segundo o relatório do Imazon, 83% do desmatamento registrado ocorreu em terras privadas ou “sob diversos estágios de posse”. O restante das áreas que teve corte raso de floresta aconteceu em Unidades de Conservação (9%), assentamos de reforma agrária (7%), e terras indígenas (1%).

Pelo gráfico abaixo, é possível notar como o índice de desmatamento na Amazônia, em áreas maiores ou iguais a 10 hectares, vem aumentando desde o começo do ano. Somente entre março e abril é que ele sofreu uma leve queda.

Como noticiamos aqui, neste outro post, em janeiro último, o avanço da soja, em áreas de desmatamento na Amazônia, é o maior em cinco anos. O plantio do grão em área devastada cresceu 27,5% em relação à safra anterior, segundo um relatório da Moratória da Soja.

Os alertas de desmatamento e degradação florestal realizados pelo Imazon são gerados pela plataforma Google Earth Engine (EE), com a utilização de imagens de satélites e mapas digitais. Todavia, os índices de deflorestamento da Amazônia publicados pelo instituto não são oficiais. O governo só leva em conta os dados elaborados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que frequentemente apresenta números diferentes aos do Imazon. A discrepância nos resultados se dá ao uso de metodologias distintas de avaliação.


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Foto: Vinícius Mendonça/Ibama/Creative Commons/Flickr

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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