Desmatamento na Amazônia é o pior em dez anos: 1,18 bilhão de árvores foram derrubadas em um ano!

Faz pouco mais de uma semana que divulgamos, aqui, no Conexão Planeta, os números do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente) – sobre o desmatamento na Amazônia em setembro. Aumentou 84% em comparação com o mesmo período no ano passado. Agora, algumas semanas antes da realização da conferência do clima (COP24), em Katowice, na Polônia, os números do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), responsável pelo monitoramento oficial da Amazônia – divulgados de forma preliminar pelos ministérios do Meio Ambiente (MMA) e Ciência e Tecnologia, em 23/11 -, confirmam que este bioma tem sido cruelmente devastado, registrando a maior taxa dos últimos dez anos e 13,7% mais que o ano passado.

Assim, de agosto de 2017 a julho de 2018, foram destruídos quase 8 mil km² de vegetação, ou seja, cerca de 1,18 bilhão de árvores foram derrubadas!!! Essa área é equivalente a 987.500 mil campos de futebol ou 5,2 cidades de São Paulo. Dá pra imaginar?

Os estados campeões desse crime foram Pará (36%), Mato Grosso (22%), Rondônia (17%) e Amazonas (13%).

Desde 2008, esse levantamento não apontava um desmatamento anual tão alto. Nesse ano, quase 13 mil km² de florestas foram derrubadas na Amazônia brasileira. Até 2012, a taxa de desmatamento registrou queda considerável e esse ano foi marcado pela menor taxa da história: 4.571 km². No ano seguinte, o desmatamento começou a aumentar novamente: isso aconteceu, na verdade, depois que a presidente Dilma Roussef aprovou um novo código florestal que anistia desmatamentos em pequenas propriedades. Em 2014, os índices caíram novamente, subindo nos dois anos seguintes.

Em 2017, o governo Temer – depois de tantos tropeços em seu primeiro ano – resolveu intensificar as operações de fiscalização e o desmatamento caiu 16%. Mas, este ano, se perdeu o controle novamente. A bancada ruralista é responsável por boa parte desse cenário, como sabemos. Como bem lembrou o Greenpeace, todas as propostas que têm sido apresentadas por seus integrantes no Congresso terão impacto negativo sobre as florestas, seus povos e o clima do planeta: “Lei da Grilagem, flexibilização do licenciamento ambiental, ataque aos direitos indígenas e quilombolas, adiamentos do Cadastro Ambiental Rural (CAR), tentativas de redução de áreas protegidas e paralisação das demarcações de Terras Indígenas, entre outras”.

E sabemos que a tendência, com o governo antiambientalista de Jair Bolsonaro, é que este cenário piore ainda mais. Além de suas declarações antes e durante campanha para as eleições presidenciais, basta lembrar de sua decisão sobre a fusão das pastas da Agricultura e do Meio Ambiente, sobre a qual voltou atrás, e suas indicações para os ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores: Tereza Cristina, do lobby dos ruralistas no Congresso, que é conhecida como a Musa do Veneno por seu apoio ao projeto de lei que flexibiliza fiscalização sobre os agrotóxicos, entre outras medidas; e Ernesto Araújo, que nega as mudanças climáticas, afirmando que se trata de complô marxista e alienígena.

Os números sobre o desmatamento na Amazônia ainda são preliminares, mas essa é uma prática do Inpe, que geralmente os apresenta antes da conferência do clima. Os dados consolidados costumam ser publicados no meio do ano seguinte, com margem de erro que nunca ultrapassa 10%. O monitoramento é feito pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Inpe, e detecta desmatamentos acima de 6,25 hectares.

Crime organizado

Em nota, o MMA destacou que esse aumento aconteceu mesmo com a manutenção do orçamento do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), que, de 2017 a 2018, intensificou as ações de fiscalização. Essa atuação, elevou em 6% o número de autuações da instituição nesse período, de áreas embargadas em 56%, de madeira apreendida (131%) e de equipamentos apreendidos (183%).

E o ministro Edson Duarte ainda foi mais longe, salientando que o crime organizado responsável pelo desmatamento ilegal da Amazônia, “que destrói as riquezas naturais do país e causa danos para toda sociedade”, está associado a outras práticas criminosas como tráfico de armas e animais, trabalho escravo, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Ele destacou também que, “além de intensificar as ações de fiscalização, como o governo federal vem fazendo nos últimos anos, precisamos ampliar a mobilização de todos os níveis de governo, da sociedade e do setor produtivo no combate aos ilícitos ambientais e na defesa do desenvolvimento sustentável do bioma”.

É preciso ter em mente, sempre, que, quando o desmatamento acontece, não perdemos somente árvores, mas vidas, dignidade, respeito. A violência e os conflitos sociais estão no cerne dessa atividade. Por isso, o Brasil está entre os líderes do ranking dos países mais perigosos para ativistas ambientais., da ONG Global Witness.

Foto: Daniel Beltrá, Greenpeace (outubro 2018)

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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