Desmatamento disparou e nós ainda podemos fazer alguma coisa


Em novembro de 2016, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgou a má e óbvia notícia: a floresta amazônica foi mais desmatada ainda: 29% de aumento em relação a 2015, ou seja, 7.989 km2, o maior índice dos últimos 8 anos. Como nos sentimos com uma notícia dessas? Como eu lido com isso?

A primeira sensação é de choque. Como se meu corpo paralisasse, a voz não saísse. Imóvel, meu olhar vaga pela paisagem à minha frente. Em seguida, vem um suspiro, uma reclamação inconformada e outro suspiro. Em algumas ocasiões, é isso o que acontece. Em outras, vem a raiva e secretamente desejo que esses desmatadores desapareçam da face da Terra. Em outras, choro copiosamente pela dor da floresta e pela agigantada ignorância alheia, fruto do egoísmo, da ambição, do medo e da falta de conexão com o que é sagrado.

Lembro a mim mesma, nessas horas, que tenho dois caminhos a seguir. Ou eu desencano da Amazônia, vou trabalhar com outra coisa e morro de infelicidade ou sigo caminhando, ora como um belo cavalo, ora com joelhos desconjuntados, dando o meu melhor para que você e todos os que me rodeiam compreendam a importância e a sacralidade desta floresta. Fico com este caminho. Ele é o único possível para minha vida.

Não dá para desistir da luta. Não dá para desistir de querer levar um pouquinho mais de luz, inspiração e informação para pessoas que, como você, acompanham o que compartilho por aqui. Fico pensando no que podemos fazer. Hoje, ao invés de bater na mesma tecla do “menos um bifinho por dia” já que a pecuária é a causa número 1 dessa desgraça, vou fazer diferente. Vou propor que você reflita sobre essa notícia péssima: o desmatamento aumentou disparadamente e chegou ao maior índice dos últimos oito anos.

Por que isso? Porque afrouxaram a fiscalização, pararam de criar unidades de conservação e demarcar terras indígenas. A anistia a desmatadores do novo e inútil Código Florestal serviu apenas para aumentar a certeza da impunidade em um país como o Brasil que, a cada dia, descobrimos ser mais e mais sujo e corrupto. As notícias sobre o buraco negro no qual estamos metidos sobem sobre nossas caras à velocidade e ao peso de galopes, mas nem tudo está perdido.

A sujeira está vindo à tona e, enquanto povo, começamos a enxergar melhor que os donos do Brasil não são esses políticos e essas políticas públicas burras e nojentas. Somos nós. A mudança será feita por nós. E a Amazônia? Reflita sobre isso e não se desespere. Saiba que você pode agir. Fale sobre o assunto com alguém no decorrer desta semana. “Ei, você sabia que o desmatamento na Amazônia disparou? A gente precisa dessa floresta”. Reflitam juntos sobre o que podem – podemos – fazer.

Vamos abraçar soluções criativas. Vamos fazer lambe-lambe nas ruas. Vamos ver filmes sobre a floresta. Vamos ouvir cânticos indígenas para nos inspirar. Vamos imaginar que a floresta está em nossos braços e enviar carinho a ela. Vamos! Vamos?

Foto: Todd Southgate

Conectada com a força da floresta – guiada, protegida e inspirada por ela. Jornalista ambiental, educadora e fundadora do Reconexão Amazônia. Há mais de uma década tem se dedicado a proteger a Amazônia, onde morou por cinco anos. Mestre em Ciências Holísticas pela Schumacher College, Inglaterra, é formada em Educação para a Sustentabilidade pelo Gaia Education e Vivências com a Natureza pelo Instituto Romã.

Karina Miotto

Conectada com a força da floresta – guiada, protegida e inspirada por ela. Jornalista ambiental, educadora e fundadora do Reconexão Amazônia. Há mais de uma década tem se dedicado a proteger a Amazônia, onde morou por cinco anos. Mestre em Ciências Holísticas pela Schumacher College, Inglaterra, é formada em Educação para a Sustentabilidade pelo Gaia Education e Vivências com a Natureza pelo Instituto Romã.

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