Desmatamento ameaça a biodiversidade da Caatinga

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*Por Welyton Manoel

Caatinga, o nome vem do tupi-guarani e significa “mata branca”, cor característica da vegetação durante as épocas de seca. A seca que está presente na terra, nas árvores de pequeno porte, nos arbustos espinhentos e nos cactos que dão forma ao bioma exclusivamente brasileiro.

Em muitos lugares, vemos que a seca é o principal problema enfrentado pelos nordestinos. Entretanto, não é somente a estiagem que já dura seis anos – a pior dos últimos 50 anos – que simboliza o dilema sertanejo. É a ação do homem na natureza, que vem dando triste formatos para a paisagem da região. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o desmatamento já fez com que a Caatinga perdesse cerca de 45% da vegetação nativa – mais de 300 mil km².

E na tentativa de frear esse crescimento do desmatamento, nasceu o Instituto SOS Caatinga. A ideia é promover ações sociais e de conscientização, para que a Caatinga não siga sendo vista como ponto de referência para a destruição da natureza, é o que conta Marcos Araújo, diretor-presidente da entidade. “Através de uma ação conjunta, chamada Fiscalização Preventiva Integrada, três estados e cerca de 20 órgãos trabalham simultaneamente em mutirões para coibir o desmatamento, tráfico de animais silvestres ou uso de agrotóxicos, já que tudo isso influi no nosso bioma”.

Outra preocupação do instituto é com a desertificação de algumas áreas. Um estudo divulgado pela Embrapa mostrou que um terço da Caatinga está desertificada devido à falta de chuvas e as queimadas. A previsão para os próximos anos é ainda mais alarmante. Estima-se que anualmente, a desertificação chegue a 2.700 km².

Araújo ressalta que todo o ecossistema é interligado e que todo agente é fundamental no desenvolvimento ou na preservação do bioma. E segundo ele, uma prática muito comum na região vem contribuindo para piorar o quadro do desmatamento.

“Entre os 25 macacos mais ameaçados de extinção do mundo está o cego-galegos, encontrado aqui na Caatinga. Infelizmente, temos o encontrado em cativeiro. Pessoas capturam o animal para criar em casa. O que muita gente não sabe é que os macacos ajudam a fazer a dispersão das sementes das árvores”, lamenta.

Pode-se dizer que essas ações são como chuvas caindo no chão da Caatinga. Algumas gotas são suficientes para que boa parte da vegetação recupere o verde, assim como bastam pequenas ações para que esse cenário do desmatamento mude. Mas isso não deve partir somente de casos isolados. É com a união de forças que essa realidade será transformada.


O equilíbrio da Caatinga depende da conservação da fauna e flora

*Texto publicado originalmente em 20/04/2017 no site da Web Radio Água

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Fotos: SOS Caatinga/Samuel Morais

Portal da Fundação Parque Tecnológico Itaipu, que tem como objetivo ampliar a difusão de boas práticas e conteúdos relacionados à Água, Energia e Sustentabilidade, constituindo assim, uma rede de discussão, apresentação e proposição de ideias e do compartilhamento de soluções e mobilização social

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