A desconstrução do estereótipo masculino

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Pouco se fala do papel do homem no movimento feminista e na busca por mais equidade de direitos. Há, inclusive, vertentes de entendimento que recusam a participação masculina e limitam a discussão ao protagonismo feminino.

Acontece que qualquer transformação social pressupõe que a sociedade seja contemplada como um todo, considerando as necessidades e responsabilidades que surgem da  diversidade. Do contrário, a transformação não é social e pode até implicar alternância de poder.

Por isso, quando se trata da pauta feminista, é mais do que necessário garantir o espaço para dialogar com as perspectivas e expectativas de homens e de LGBT.

O estereótipo rígido de masculino que nos é ensinado desde sempre é uma das maiores contribuições para a manutenção de uma sociedade machista.

Quando crianças, somos divididos por supostas “áreas de interesse” que, invariavelmente, aproximam  os meninos de brincadeiras que envolvem luta, armas, violência, controle e força física.

Não é raro ouvir “menino não chora”, o que ao longo do tempo se torna um estímulo e tanto para que se esconda os sentimentos e emoções, deixando transparecer tão somente aquilo que se espera de um homem: atitudes viris, firmes, racionais e naturalmente “instintivas”.

O machismo se reflete também na desvalorização de características relacionadas essencialmente à mulher, como o choro, a delicadeza nos gestos e a comoção. Essa depreciação recai também sobre os homens homossexuais, que sofrem as consequências desse preconceito ignorante muitas vezes pagando com a própria vida.

Por isso, para discutir equidade de direitos entre homens e mulheres, é preciso discutir direitos humanos e desconstruir nosso conceito de gênero. O caminho é longo e cheio de desafios, mas começa com a revisão de pequenos hábitos, a reflexão profunda e a escuta. Ouvir atentamente o outro, suas angústias, seus medos e suas inseguranças pode criar um campo de confiança para dialogarmos sobre como queremos nos colocar pro mundo versus contra o mundo espera que a gente se coloque.

Pra inspirar esse caminho, o filme The Mask You Live In (“A Máscara em que você vive”, disponível no Netflix) trata do tema com muita clareza e nos mostra que, para resolver um problema, não importa qual seja, é preciso ouvir todas as partes. Começando pela gente.

Agora, assista ao trailer. “As palavras mais destruidoras que todo homem escuta quando garoto  é quando lhe dizem: ‘Seja homem’!”.

Foto: Gabriele Garcia

Sonhadora, feminista e apaixonada por pessoas e histórias. Trabalhou por dez anos como advogada e em 2014 deixou o escritório para empreender o Think Twice Brasil, cujo primeiro projeto – Experiência de Empatia – foi uma viagem de 400 dias por 40 países para se aprofundar no aprendizado e identificação de soluções para desigualdade social e de gênero. De volta ao Brasil, está à frente do Instituto Think Twice Brasil e de projetos ligados à justiça social e de gênero.

Gabriele Garcia

Sonhadora, feminista e apaixonada por pessoas e histórias. Trabalhou por dez anos como advogada e em 2014 deixou o escritório para empreender o Think Twice Brasil, cujo primeiro projeto – Experiência de Empatia – foi uma viagem de 400 dias por 40 países para se aprofundar no aprendizado e identificação de soluções para desigualdade social e de gênero. De volta ao Brasil, está à frente do Instituto Think Twice Brasil e de projetos ligados à justiça social e de gênero.

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