Descobertos em reserva de proteção da Bahia ninhos de harpia, ave rara em risco de extinção

Descobertos em reserva de proteção da Bahia ninhos de harpia, ave rara em risco de extinção

A harpia (Harpia harpyja), também conhecida como gavião real, é a maior ave de rapina do Brasil. Pode pesar até cinco quilos e suas longas asas listradas – em tons de cinza e branco -, medem de uma ponta à outra dois metros.

A espécie vive em florestas tropicais entre o sul do México e o norte da Argentina, e na Amazônia. No passado era comum encontrá-la na Mata Atlântica, mas infelizmente, foi dizimada pelo ser humano, seu único predador.

Animal do topo da cadeia alimentar, a harpia tem em sua dieta cobras, tatus, bichos-preguiça, filhotes de veado, araras-azuis, seriemas, macacos-prego e até, cachorros-do-mato. A força da ave é tão grande, que é capaz de levar suas caças até o topo das árvores para se alimentar. Por isso mesmo, sua presença na floresta é tão importante, pois ela controla naturalmente a população de outros animais, mantendo o equilíbrio da vida selvagem.

Por estar ameaçada de extinção, na semana passada, biólogos do Projeto Harpia na Mata Atlântica comemoram a descoberta de seis aves da espécie na Reserva Particular de Patrimônio Natural Estação Veracel, em Porto Seguro, no sul da Bahia.

Foram encontrados dois ninhos, em cada um havia um casal e um filhote. “A descoberta desses ninhos tem um enorme significado porque é o resultado de todo um trabalho de preservação feito ao longo de quase 20 anos”, afirma Virginia Camargos, bióloga especialista em Meio Ambiente da Veracel.

Segundo a pesquisadora, o sucesso reprodutivo da ave em vida silvestre demonstra que as ações de proteção do bioma têm sido bastante eficazes. “Esse achado evidencia que o trabalho de conservação da Mata Atlântica na área de nossa atuação, inclusive com processos de restauração florestais, propiciam a criação de corredores ecológicos e a viabilização de fluxo de animais entre os fragmentos que antes estavam isolados”, diz a especialista.

Um dos ninhos descobertos

Os filhotes encontrados serão monitorados por telemetria de satélite e por meio de câmeras fotográficas e de penas coletadas no solo, embaixo dos ninhos, para posterior identificação genética dos indivíduos e do parentesco entre os casais e filhotes.

O Projeto Harpia na Mata Atlântica, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Amazônica (INPA), em parceria com a Estação Veracel, já reabilitou três harpias, as quais foram devolvidas à natureza.

A harpia tem seu nome originário na mitologia grega: um ser imaginário com rosto de mulher e corpo de abutre. É também conhecida como gavião real por conta da coroa de penas no topo da cabeça e de sua estrutura corporal. Os povos indígenas a chamam de uiraçu devido a seu grande porte. Não foi à toa que ela inspirou a Fênix do filme Harry Potter e a Câmara Secreta.


A harpia é a maior ave de rapina do Brasil

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Foto: divulgação Projeto Harpia/João Marcos Rosa (última foto)

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Um comentário em “Descobertos em reserva de proteção da Bahia ninhos de harpia, ave rara em risco de extinção

  • 6 de setembro de 2018 em 5:11 PM
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    Quando se trata de devastacao, somos campeões.

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