Descobertas treze novas cavernas em área de proteção ambiental no Paraná

Descobertas treze novas cavernas em área de proteção ambiental no Paraná

A Escarpa Devoniana é a maior área de proteção ambiental do sul do Brasil, um patrimônio brasileiro único no mundo. Ela é um degrau topográfico de 260 quilômetros, que separa o Primeiro do Segundo Planalto paranaense e dá nome a uma Área de Proteção Ambiental (APA).

Uma nova descoberta revela que o local tem ainda mais riquezas geológicas do que se era conhecido até então. O Grupo Universitário de Pesquisas Espeleológicas (GUPE) anunciou a identificação de treze novas cavernas na Escarpa Devoniana.

Seis das treze novas cavernas identificadas ficam no município de Ponta Grossa (Abismo Guabiroba I, Abismo Guabiroba II, Abismo Guabiroba III, Gruta Passo da Natureza, Abismo Passo da Natureza e Abrigo da Pamonha), uma em Balsa Nova (Sumidouro da Panelinha) e outras seis em Campo Largo (Fenda do Velloso I, Fenda do Velloso II, Gruta do Lagarto, Gruta da Lagartixa, Toca Dois e Gruta Crovadore).

Gruta do Lagarto

No começo do ano, em fevereiro, o GUPE já tinha achado outras dez cavernas em uma área de apenas um quilômetro da Escarpa Devoniana.

“As cavernas areníticas da APA da Escarpa Devoniana são locais pouco conhecidos, mas com os estudos que o GUPE realiza, é possível afirmar a alta biodiversidade e geodiversidade desses ambientes”, afirma Henrique Pontes, geógrafo e membro do GUPE. “O potencial total da APA é imensurável, por isso, todo e qualquer empreendimento, principalmente, envolvendo mineração e barragens, deve apresentar uma análise detalhada do potencial espeleológico, incluindo prospecção completa na área direta e indiretamente afetada. Mas essa necessidade tem sido ignorada e estudos não são realizados como deveriam”.

Pontes se refere a uma possível exploração da área, já que Área de Proteção Ambiental da Escarpa Devoniana é uma unidade de conservação de uso sustentável, ou seja, atividades produtivas são permitidas ali e segundo o geógrafo, foi feito um Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) pela empresa Mineração Jundu no local.

“A sociedade precisa estar em alerta constante para que as diversas irregularidades existentes no estado do Paraná com relação à liberação de licenças ambientais, não se repitam nos casos em que envolvam o patrimônio espeleológico desenvolvido em rochas areníticas na APA da Escarpa Devoniana”, alerta. “Com as frequentes novas descobertas, temos a certeza de que a APA da Escarpa Devoniana se tornará, em pouco tempo, uma das regiões com maior concentração de cavernas do Brasil. Por isso precisamos dar valor a este patrimônio e reconhecer a importância desses ambientes, considerados como bens da União, de acordo com nossa Constituição”.

Aranha na Gruta do Lagarto

Existe um projeto de lei, em tramitação na Assembleia Legislativa do Paraná, que prevê a redução de 70% desta área de proteção. Graças à pressão popular e de organizações ambientalistas, o projeto perdeu força, mas ainda corre o risco de ser votado.

De acordo com o Observatório de Justiça e Observação, entidade não-governamental, que trabalha pela proteção ambiental, uma manobra está sendo realizada nos bastidores para tentar favorecer o interesse de empresas do ramo de mineração e agronegócio. O artifício seria a criação de um novo Conselho Gestor da APA da Escarpa Devoniana, com 78% de representação do setor privado. Todavia, o Ministério Público do Paraná foi acionado e está questionando a composição do conselho.

*Com informações do Observatório de Justiça e Observação

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Fotos: divulgação Grupo Universitário de Pesquisas Espeleológicas (GUPE)

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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