Depois de um século extintas em reserva no Rio de Janeiro, antas são reintroduzidas na vida selvagem


Depois de um século extintas em reserva no Rio de Janeiro, antas são reintroduzidas na vida selvagem

Valente, Flora e Júpiter viajaram mais de 1 mil quilômetros para chegar a seu novo lar. Agora elas terão a companhia do casal Eva e Floquinho, que já vive na Reserva Ecológica de Guapiaçu, no município de Cachoeiras de Macacu, no estado do Rio de Janeiro, desde dezembro de 2017.

As cinco antas são as primeiras a habitar a região depois de pelo menos um século de extinção da espécie no local. A iniciativa para o repovoamento dos animais faz parte do Projeto Refauna.

“Esta é uma das espécies que está ameaçada de extinção no Brasil. São herbívoros e conhecidos como jardineiros da natureza pois, ao se alimentarem dos frutos das árvores e arbustos, espalham as sementes pelo caminho, contribuindo essencialmente para a biodiversidade”, explica Pedro Chaves Camargo, médico veterinário.

As três antas vieram de Telêmaco Borba, no Paraná. Elas são a segunda geração do programa de reprodução da espécie, iniciado nos anos 1990, no Parque Ecológico Samuel Klabin*. Antes de serem soltos na mata, os animais passaram por um processo de adaptação. “Eles foram reintroduzidos por meio da técnica de soltura branda (soft release), ou seja, passando por um período de aclimatação em um cercado no interior da floresta, com suplementação alimentar, revela Maron Galliez, coordenador do Projeto Refauna e professor do Instituto Federal do Rio de Janeiro.Após 30 dias, o cercado foi aberto e as antas ganharam a natureza, mas a suplementação continua”.

Após a reintrodução na vida selvagem, elas continuarão a ser monitoradas através de coleiras de telemetria e armadilhas fotográficas.

“O projeto busca a translocação de animais criados em cativeiro. Por isso, buscamos parcerias com criadouros conservacionistas e zoológicos”, destaca Galliez.

Anta com coleira para monitoramento

Gigante das matas

A anta (Tapirus terrestris) é o maior mamífero terrestre da América do Sul. Pode pesar entre 200 e 300 kg.

Por ter um ciclo reprodutivo longo, com 13 a 14 meses de gestação e apenas um filhote, a espécie é muito mais vulnerável a pressões externas que provocam sua extinção, como desmatamento e caça ilegal.

No mundo todo, existem quatro espécies de antas conhecidas pela ciência: a anta-da-montanha (Andes), a anta-centro-americana (América Central) e a anta-malaia (Indonésia) – que estão ameaçadas de extinção, segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, (IUCN na sigla em inglês). Em território brasileiro, encontramos a anta-sul-americana.


Apesar de seu tamanho, as antas são lentas e delicadas
 

* Com área de aproximadamente 11 mil hectares, sendo que 71% são formados de florestas naturais, o Parque Ecológico Samuel Klabin foi criado na década de 80. Suas atividades promovem a conservação da biodiversidade, a reabilitação de animais, a preservação de espécies em extinção, o desenvolvimento de pesquisas científicas e o apoio aos projetos de educação ambiental. Desde 1989 dedica-se ao criadouro científico, promovendo a reprodução e reintrodução ao meio ambiente de espécies em extinção, de acordo com as normas dos órgãos ambientais. Vivem ali cerca de 200 animais de 50 espécies, como o puma, o veado-bororó-do-sul e a anta brasileira. O parque passou por uma reformulação nos últimos anos e está fechado para visitação, visando a readaptação dos animais aos novos recintos.

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Fotos: divulgação Parque Ecológico Samuel Klabin e Projeto Refauna

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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