Depois de quase extintas, baleias jubarte atingem número recorde no Brasil e Atlântico Sul

Depois de quase extintas, baleias jubarte atingem número recorde de indivíduos no Brasil e Atlântico Sul

Entre 1700 e 1900, estima-se que cerca de 300 mil jubartes (Megaptera novaeangliae) foram mortas pela indústria da pesca no mundo*. Na década de 50, a população de baleias desta espécie, na região ocidental do Atlântico Sul, foi praticamente dizimada: chegou a aproximadamente 450 indivíduos. Ou seja, faltava muito pouco para elas serem extintas.

Mas através de políticas governamentais, que proibiram a caça às baleias, e o esforço de organizações de proteção animal, a história triste teve final feliz.

Segundo dados preliminares do último monitoramento realizado pelo Projeto Baleia Jubarte, o número de baleias que tem passado pelo litoral brasileiro para se reproduzir é de 17 mil indivíduos. Vale ressaltar que isso representa apenas as baleias presentes na costa brasileira. Em todo o Atlântico Sul, atualmente, devem ser quase 25 mil delas, apontou um artigo científico publicado recentemente no Royal Society Open Science.

“Eu esperava que a recuperação fosse maior do que havíamos estimado em 2006, mas não esperava que ela seria praticamente total”, afirmou o biólogo brasileiro Alexandre Zerbini, principal autor do estudo, que trabalha atualmente no Seattle Marine Mammal Laboratory do National Marine Fisheries Service, nos Estados Unidos.

Os cientistas acreditam que a população de jubartes no Atlântico Sul já corresponde a 93% do que existiu no passado, antes do período de caça à espécie.

“Este é um exemplo claro de que, se fizermos a coisa certa, a espécie se recupera. Espero que sirva de exemplo para que possamos fazer o mesmo por outras populações animais”, destacou Zerbini, em entrevista ao jornal USA Today.

A linda e majestosa baleia jubarte

Descrita pela primeira vez na Nova Inglaterra (Estados Unidos), a baleia jubarte tem seu nome científico vindo deste local – novaeangliae -, e Megaptera – que em grego antigo significa “grandes asas”, já que suas imensas nadadeiras peitorais podem medir até 1/3 do comprimento total de seu corpo, algo em torno de 16 metros.

As jubartes podem ser encontradas em todos os oceanos. Chegam a pesar até 40 toneladas. Por isso mesmo, é tão impressionante ver o salto de uma delas, que consegue projetar todo seu corpo para fora da água.

Depois de quase extintas, baleias jubarte atingem número recorde de indivíduos no Brasil e Atlântico Sul

No Brasil, as jubartes são vistas entre os meses de julho e novembro, quando chegam ao país, vindas da Antártica, para se reproduzir nas águas quentes dos trópicos. O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, no sul da Bahia, é considerado o berçário da espécie no Oceano Atlântico Sul Ocidental.

Durante esta temporada, o censo aéreo feito pelo Projeto Baleia Jubarte percorreu mais de 12 mil km – “O mais longo censo aéreo de cetáceos do planeta. Foram avistados 539 grupos de baleias, com 840 animais, dos quais 29 filhotes”, relatou a organização, em sua página no Facebook.

Como é um animal no que é chamado de “topo da cadeia alimentar”, a jubarte é uma excelente indicadora da qualidade e do equilíbrio dos oceanos. Essa gigante dos mares tem ainda um importante papel em fertilizar as águas oceânicas.

Imagem feita durante censo aéreo das jubarte

“As baleias jubarte são famosas pela produção de um canto melodioso e complexo, que encanta e intriga a todos que o escutam. Apenas os machos cantam, nas áreas e temporadas de reprodução, o que faz crer que haja um vínculo direto do canto com as atividades de acasalamento. Em cada região as baleias cantam uma música diferente, e que muda sutilmente de temporada para temporada”, explicam os especialistas do projeto.

Confira abaixo o vídeo produzido pela ONG, com o lindo canto das baleias brasileiras:

*Nos séculos passados, as baleias eram mortas para que fosse retirado de seu corpo um óleo, utilizado para diversos fins, entre eles, servir de combustível para iluminação

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Fotos: reprodução Facebook Projeto Baleia Jubarte e domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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