Depois de oito anos, peixe-boi Raimundo volta à natureza novamente

Depois de oito anos, peixe-boi Raimundo é solto na natureza novamente

Em 2011, quando era apenas um filhote, um peixe-boi marinho foi encontrado, encalhado, na praia de Porto do Mangue, no Rio Grande do Norte.

Na época, o animal tinha não mais que 20 dias. Media 127 centímetros e pesava 38 quilos. Ainda era jovem demais para voltar à natureza. Longe da mãe, provavelmente iria morrer.

Começava então a longa história, mas agora com final feliz, de Raimundo, nome com que o peixe-boi foi batizado. Nesses últimos oito anos e sete meses, o mamífero realizou diversas viagens e passou por um longo processo de treinamento em cativeiro, graças ao trabalho e parceria de diversas entidades e organizações.

Um mês após seu resgate, Raimundo foi transferido para o Centro de Reabilitação do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em Itamaracá, em Pernambuco.

No centro, o peixe-boi foi amamentado durante mais de um ano e com isso, conseguiu crescer de maneira saudável e adequada: atingiu 200 quilos e chegou a 170 centímetros.

Em 2015, foi levado à Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, na região de Porto de Pedras, no litoral norte de Alagoas, onde houve uma primeira tentativa de reintrodução na natureza. Infelizmente, ela foi fracassada. O peixe-boi apresentou problemas de saúde e precisou ser resgatado.

Na semana passada, na sexta-feira (29/08), pela segunda vez (e torcemos que seja a última!), o animal foi liberado nas águas do rio Tatuamunha.

A operação para a soltura de Raimundo, que faz parte do Programa Peixe-Boi Marinho, do ICMBio, envolveu a participação de diversas pessoas. Para poder acompanhar sua adaptação, foi instalado um transmissor GPS na nadadeira caudal, assim ele será monitorado por satélite.

Depois de oito anos, peixe-boi Raimundo é solto na natureza novamente

Foram necessárias várias pessoas para aguentar o peso de Raimundo
e liberá-lo, com cuidado, no rio

Ameaçado de extinção

A história de Raimundo revela como nem sempre é fácil a reintrodução de animais, criados em cativeiro, na vida selvagem. Longe de seu habitat natural e das lições apreendidas junto a indivíduos da mesma espécie, muitas vezes, eles não desenvolvem os instintos necessários para sobreviver na natureza.

Extremamente dócil, o peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) é um gigante das águas. Pode chegar a pesar 600 quilos e medir até 4 metros de comprimento.

Infelizmente, a espécie está ameaçada de extinção. Segundo a organização internacional União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), que classifica animais em risco de desaparecer, o peixe-boi-marinho é considerado vulnerável.

No Brasil, o peixe-boi-marinho pode ser encontrado ao longo do litoral Norte e Nordeste, do Amapá até Alagoas. Entretanto, especialistas estimam que existam apenas mil indivíduos neste trecho da costa, um número bastante pequeno, que gera preocupação.

*Com informações do ICMBio

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Fotos: divulgação ICMBio/ Thiago Hara

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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