Depois de dez anos em aquário na China, baleias belugas são levadas para santuário na Islândia

Depois de dez anos em aquário na China, baleias belugas são levadas para santuário na Islândia

Little Grey e Little White. Estes são os nomes das duas baleias belugas que ganharam as manchetes do mundo inteiro esta semana. Elas fizeram uma viagem de mais de 10 horas e percorreram mais de 9 mil quilômetros – de caminhão, avião e barco – para finalmente, voltarem ao seu habitat original: a natureza.

Little White é tímida e Little Grey brincalhona e bastante sociável. As fêmeas, de 12 anos, pesam 900 kg e medem 4 metros. Foram capturadas no mar na Rússia, quando teriam entre 2 e 3 anos, e levadas para um aquário em Shangai, na China, há aproximadamente dez anos.

Depois de dez anos em aquário na China, baleias belugas são levadas para santuário na Islândia

Little White: a mais tímida da dupla

Em 2012, entretanto, Changfeng Ocean World foi comprado pelo grupo de entretenimento britânico Merlin, que opera a rede de aquários Sea Life, administrada também por uma fundação de conservação ambiental. Entre as políticas do Merlin, está a proibição em manter em cativeiro golfinhos e baleias.

A longa viagem das belugas

Em parceria com a organização Whale and Dolphin Conservation, toda a viagem foi planejada minuciosamente. Dentro de tanques com água, Little Grey e Little White foram transportadas de caminhão até o boeing cargueiro 747, que fez o voo ontem (20/06) até a Islândia. Durante todo o percurso, elas foram alimentadas e acompanhadas por veterinários.

Depois de dez anos em aquário na China, baleias belugas são levadas para santuário na Islândia

Trajeto total da viagem

Depois da chegada em solo islandês, as baleias farão novo trajeto de caminhão para, somente então, realizarem o último trecho, de ferry, até a baía de Klettsvik, em Heimaey, nas Ilhas Westman. É lá que está localizado o Santuário de Baleias Beluga, uma enseada de 32 mil m2 e 10 mil metros de profundidade.

Processo de adaptação

Pelos próximos 40 dias, Little White e Little Gray ficarão em uma piscina interna, onde a alimentação de ambas será reforçada para que ganhem mais capa de gordura, essencial para à exposição ao sol natural.

Depois de dez anos em aquário na China, baleias belugas são levadas para santuário na Islândia

As belugas foram monitoradas durante todas as etapas da viagem

Infelizmente, as baleias nunca iriam sobreviver livres no oceano aberto. Foram criadas a vida inteira em cativeiro e por isso, não conhecem rotas de migração, por exemplo, ou não estão acostumadas com marés e correntes fortes.

A partir de agora, elas viverão o mais próximo do que seria o natural. Pelo menos, bem longe de um aquário.  

Vale lembrar que, em 2002, a orca Keiko, personagem do filme Free Willy, foi solta na natureza e apesar de ter passado por um período de readaptação, infelizmente, acabou morrendo 18 meses depois.

A ideia é que as duas belugas sejam apenas as primeiras moradoras do santuário e que outros cetáceos, atualmente em cativeiro, sejam levados para o local no futuro.

O avião que fez o transporte de Little Gray e Little White

Chega de cativeiro!

A beluga (Delphinapterus leucas), chamada popularmente de baleia branca, é encontrada em altas latitudes, em torno do círculo polar Ártico, distribuindo-se desde a costa da Groenlândia até a região da Noruega. Elas podem viver entre 35 e 50 anos.

Vergonhosamente, a Rússia é famosa pela captura de baleias com o objetivo de vendê-las para aquários da China. Mas atualmente, há um movimento mundial contra o aprisionamento desses animais em recintos fechados. Em 2017, o Aquário de Vancouver foi proibido de manter golfinhos e baleias em cativeiro.

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Fotos: reprodução Facebook Beluga Whales Sancturary

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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