Depois de 25 anos, China volta a liberar comércio de ossos e chifres de tigres e rinocerontes


Depois de 25 anos, China volta a liberar comércio de ossos e chifres de tigres e rinocerontes

*Atualizado em 12/11/2018

Parece mesmo que o mundo vive dias de escuridão. Em muitos países há notícias de retrocessos, que colocam em risco a sobrevivência de ambientes naturais e da vida selvagem.

É exatamente o que acontece na China. O governo daquele país anunciou a revogação de uma lei de 1993, que havia proibido o comércio de partes do corpo de tigres e rinocerontes, sobretudo, ossos e chifres, muito utilizados na medicina tradicional do Oriente.

Segundo o comunicado oficial do Conselho de Estado da República Popular da China, só será permitido o abate de animais criados em fazendas (cativeiro) e o governo se compromete a fiscalizar o setor.

Continua proibido, entretanto, a importação e a exportação desses “produtos” e o uso de animais selvagens para estes fins.

Todavia, ambientalistas receberam a notícia com profunda consternação e preocupação. Dada a enorme demanda do mercado asiático para os “medicamentos” feitos com pó de tigres e rinocerontes, como o governo conseguirá controlar e distinguir o que tem origem em animais de cativeiro e aqueles caçados e mortos ilegalmente na natureza?

“A medida pode encobrir as atividades do tráfico ilegal e estimular uma prática que estava em declínio desde a proibição de 1993”, afirmou Margaret Kinnaird, do WWF-International, em entrevista ao jornal The Washington Post.

Especula-se que a pressão para reverter a proibição vem dos produtores de animais em cativeiro, não do mercado de medicina alternativa. Estimativas revelam que há mais de 6 mil tigres vivendo em fazendas na China.

Espécies em risco de extinção

Antigamente, tigres asiáticos eram encontrados em diversos países daquele continente. A população, que um dia chegou a 100 mil, hoje beira os 3.900 indivíduos. Cientistas acreditam que os tigres estejam praticamente extintos no sudeste da China, Cambódia, Vietnã e Lao.

Rinocerontes brancos também estão ameaçados de extinção. Suas presas são comercializadas na China e no Vietnã como remédios, por isso, são mortos por traficantes.  O quilo do chifre do animal é vendido por até 50 mil dólares. Em 2014, 1.215 rinocerontes foram brutalmente abatidos na África do Sul. Sete anos antes, “apenas” 13 indivíduos foram assassinados.

Em março deste ano, morreu o último macho de rinoceronte branco do norte do mundo. Com 45 anos, Sudan era a esperança derradeira para a reprodução desse rinoceronte africano. Mas doente e sofrendo muito, ele precisou ser sacrificado.

Da mesma maneira, os rinocerontes pretos sofrem com o declínio de sua população. No passado, eram os mais numerosos. Mas, em 2015, eram apenas 5 mil deles vivendo livremente. Hoje, ambientalistas dizem que este número já deva ser bem menor. Se nada for feito para acabar com a caça e o contrabando de chifres, eles desaparecerão do planeta.

Existem cinco espécies de rinocerontes, três na Ásia e duas na África subsaariana: de java, de sumatra, indiano, negro e branco. Este último, é dividido em duas subespécies, o branco-do-norte e o branco-do-sul.

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*Devido a protestos no mundo inteiro, o governo chinês anunciou que voltou atrás na decisão e irá rever a revogação da lei, mas não informou entretanto, se definitivamente. 

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Foto: domínio público/pixabay

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Um comentário em “Depois de 25 anos, China volta a liberar comércio de ossos e chifres de tigres e rinocerontes

  • 7 de novembro de 2018 em 12:49 PM
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    Difícil admirar esse país nas qualidades que, óbvio, deve possuir, mas geralmente as notícias que o relacionam aos animais de qualquer espécie, são dantescas, sinalizando que escasseia compaixão no coração desse povo teimoso e refratário à ideia de engajar-se com os movimentos do Planeta, de respeito, proteção, preservação, acolhimento e veneração aos animais. Não é mais possível dizer que animais não sofrem, sentem dor, angústia e medo assim como nossos pais e filhos humanos sofrem e nada, nada mesmo, justifica a barbárie contra eles, nem mesmo salvar seres humanos com pedaços do que restou deles. Imprescindível apreciar o valor dos animais no que têm de mais importante, sentimentos inatos, como os nossos, emoções sublimadas até, como aquelas que, às vezes possuímos. Prioridade é o seu direito de viver, o privilégio de serem livres e sua inviolável condição de criaturas concebidas à nossa semelhança, tanto quanto, parecemos mas não somos, criados à semelhança Dele. “Não é mais possível dizer que não sabíamos”, porque sabemos. Animais sofrem e faze-los sofrer de propósito, é sinal de atraso, involução, ignorância, selvageria, incultura e barbarismo de qualquer povo, porque nenhuma tradição, costume ou legado devem ser preservados, ao contrário, devem ser extintos, se o preço a pagar for a morte de inocentes que a Justiça distraída e tendenciosa não contabilizou como VÍTIMAS.
    https://veja.abril.com.br/ciencia/nao-e-mais-possivel-dizer-que-nao-sabiamos-diz-philip-low/

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