Depois de 200 anos, espécie de iguana é reintroduzida na Ilha de Santiago, em Galápagos


is de 200 anos, espécie de iguana é reintroduzida na Ilha de Santiago, em Galápagos

As iguanas são um dos maiores símbolos da riquíssima biodiversidade de Galápagos, arquipélago com treze ilhas, que ficam espalhadas em quase 8 mil km2, na costa do Equador, um dos mais intocados habitats de vida selvagem do planeta, referência de estudo para muitos pesquisadores e local que teve extrema importância para a elaboração da Teoria da Evolução, do naturalista inglês Charles Darwin.

Foi justamente por volta de sua viagem na região, em 1835, que foi observada, pela última vez, a presença de iguanas terrestres (Conolophus subcristatus) na Ilha de Santiago. Acontece que foram levadas para lá espécies invasoras, como o “cerdo feral” (em espanhol), um tipo de porco selvagem, que dizimou a população das iguanas. Mas um projeto, em 2001, conseguiu acabar com o animal invasor na ilha.

E no final de semana passado, depois de 200 anos, as iguanas terrestres foram reintroduzida em Santiago. 1.436 delas foram levadas da ilha de Seymor Norte para o local. O objetivo é fazer a restauração ecológica de seu habitat natural.

O trabalho foi feito em parceria pelas equipes de profissionais do Parque Nacional de Galápagos, da Universidade Massey da Nova Zelândia e da organizacção Island Conservation.

O projeto de reintrodução da espécie tem quatro etapas. As duas primeiras foram realizadas no final de 2018, quando as iguanas foram capturadas e colocadas em quarentena na Ilha de Santa Cruz. Nos últimos dias 3 e 4 de janeiro, os indivíduos foram transportados e soltos nas regiões costeiras de Puerto Nuevo e Bucanero, que possuem ecosistemas similares de onde elas foram retiradas, com a presença de vegetação abundante para sua alimentação.

“A iguana terrestre é um herbívoro que ajuda os ecosisstemas mediante a dispersão de sementes e a manutenção de espaços abertos sem vegetação”, explica Danny Rueda, diretor de ecossistemas do Parque Nacional de Galápagos.

Soltura das iguanas na Ilha de Santiago

As próximas etapas, a partir de fevereiro, serão o monitoramento dos répteis (adaptação), reprodução (identificação de ninhos), além de coleta de dados de comportamento e hábitos alimentares.

Outro benefício do projeto é permitir a restauração da vegetação da Ilha de Seymor. Por causa da enorme população de iguanas terrestres, estimada em mais de 5 mil indivíduos, houve uma redução na quantidade de plantas, sobretudo, cactus. Agora, com um número menor de reptéis em Seymor, a vegetação poderá se regenerar.

A próxima etapa do projeto envolve o monitoramento da adaptação
dos animais no novo ecossistema

O arquipélago de Galápagos é habitat de mais de 45 espécies de aves endêmicas (que só são encontradas ali e em nenhuma outra parte do mundo), 42 de répteis, 15 de mamíferos e 79 de peixes. As ilhas contêm ainda uma rica variedade de flora endêmica, que chegam a mais de 500 espécies já registradas.

Outro animal emblemático da região é a tartaruga gigante. Infelizmente, no passado, eram 14 espécies no local, mas a exploração ocorrida ali, no século VXIII , provocou a extinção de três delas.

A evolução da espécie

Acredita-se que as iguanas de Galápagos tenham um antepassado comum, que boiou entre as ilhas, vindo do continente sulamericano, em “canoas” de vegetação. A separação (em espécies diferentes) entre iguanas marinhas e terrestres deu-se por volta de 10,5 milhões de anos atrás.

São encontradas três espécies de iguanas terrestres em Galápagos. A amarelada Conolophus subcristatus, mais conhecida, encontrada em seis ilhas e agora, também em Santiago, a Conolophus pallidus, observada apenas em Santa Fé e uma terceira, com tons de rosa, a Conolophus marthae, vista pela primeira vez em 1986 e só estudada depois do ano 2000.

Esses tipos de répteis são bastante grandes, podem alcançar mais de 9 metros de comprimento, com os machos pesando até 13 kg.

Iguanas terrestres gostam de terrenos secos, e durante as manhãs, podem ser vistas “lagarteando” no sol. Para escapar do calor extremo, entretanto, procuram a sombra em cactus, pedras, árvores e outras vegetações.

Ao atingir a maturidade sexual entre os 8 e 15 anos, as fêmeas conseguem colocar até 20 ovos. Três ou quatro meses depois, as primeiras eclosões ocorrem.

Quando conseguem sobreviver ao primeiro ano de vida, o mais difícil de todos, as iguanas podem chegar até os 50 anos. 

*Com informações do Parque Nacional de Galápagos e da Galapagos Conservancy 

Leia também:
Identificada nova espécie de tartaruga gigante em Galápagos
Humanidade destruiu 2,5 bilhões da história da evolução de centenas de espécies de mamíferos
Após mortandade em massa, estrela-do-mar tem evolução surpreendente em luta pela sobrevivência
Lagartixa passa por evolução relâmpago para sobreviver à construção de usina em Goiás

Fotos: divulgação Parque Nacional de Galápagos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta