Depois de 12 anos, filhotes de lobo-guará nascem no zoo de Bauru

Depois de 12 anos, filhotes de lobo-guará nascem no zoo de Bauru

A imagem linda acima e o vídeo, ao final deste post, foram divulgados com muita alegria pela equipe de veterinários do Zoológico de Bauru, no interior de São Paulo. Após 12 anos, foi registrado o nascimento no local de dois filhotes de lobo-guará.

A mãe dos lobinhos chegou ali a pouco menos de três anos, vinda de um zoológico de Salvador. O pai é mineiro e veio de criadouro de Araxá. Ao nascer, os filhotes têm pelo preto e só vão ganhar o tom avermelhado a partir do segundo ou terceiro mês de vida.

A última vez que filhotes de lobo-guará nasceram no zoo de Bauru foi em 2005. Entre 1984 e aquele ano, houve a reprodução em cativeiro de 17 lobos-guarás.

Para garantir sossego total para a família, os veterinários interditaram provisoriamente a área destinada à contemplação da espécie por visitantes no zoológico e os deixaram isolados, em lugar semelhante a seu habitat natural.

Os dois novos moradores devem ficar com os pais por cerca de um ano. Depois deste período, devem ser encaminhados a outros zoológicos. “A medida permite a “troca de sangue”, método que no trabalho de reprodução em cativeiro evita cruzamentos entre irmãos e fortalece a espécie”, explicou Luiz Pires, diretor do zoo.

A boa notícia veio em um momento bastante delicado. No início de julho, a equipe socorreu um lobo-guará que foi atropelado. Durante duas semanas, relatadas como angustiantes, foi feito de tudo para salvar a vida do animal, que infelizmente, veio a falecer. Na última semana, também foi registrada a morte de outro lobo-guará nas estradas da região.

Estima-se que, anualmente, cerca de 470 milhões de animais vertebrados morram atropelados nas rodovias brasileiras.

A reprodução em cativeiro de espécies, sobretudo aquelas ameaçadas de extinção, como é o caso do lobo-guará, é muito importante para que se faça um banco genético de sua população. Em post no Facebook, os veterinários escreveram: “Nesse momento em que a fauna brasileira tanto sofre com os atropelamentos, torna-se cada vez mais importante a reprodução das espécies sob cuidados humanos. O Zoo de Bauru está fazendo a sua parte, vamos fazer a nossa lutando pela conservação dos biomas brasileiros”.

O lobo-guará brasileiro

Espécie típica do Cerrado brasileiro, o Chrysocyon brachyurus é o maior canídeo selvagem da América do Sul. Infelizmente, ele encontra-se ameaçado de extinção, devido principalmente à destruição de seu habitat pelo desmatamento.

O nome guará vem da língua indígena e significa “vermelho”. Tem aproximadamente 90 cm de altura e pesa, em média, 23 kg. De hábitos solitários, macho e fêmea se encontram somente para reproduzir e cuidar dos filhotes.

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O lobo-guará é um animal de atividade noturna, que tem o olfato extremamente sensível e orelhas longas, que conferem a ele uma excelente capacidade auditiva também. Pode detectar suas presas a uma grande distância. Suas pernas longas facilitam a locomoção.

Assim como outras espécies, usa sua urina e fezes para demarcar território. Apesar de carnívoro, o lobo-guará gosta muito de frutas. Uma inclusive, leva seu nome: a fruta-do-lobo.

 

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Fonte e foto: divulgação Zoo de Bauru e Marcos Amend

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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