Degradação da Floresta Amazônica tem aumento de mais de 1.300% em janeiro, indica alerta de desmatamento do Imazon

Degradação da Floresta Amazônica tem aumento de quase 800% em janeiro, indica alerta de desmatamento do Imazon

O primeiro mês de 2020 trouxe más notícias para a região amazônica. Infelizmente, é uma tendência que vem se repetindo, praticamente mês a mês, desde o ano passado.

Segundo o mais recente monitoramento divulgado pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)*, em janeiro foram detectados 188 km2 de desmatamento na Amazônia Legal, um aumento de 74% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando a destruição da floresta somou 108 km2.

A chamada Amazônia Legal é uma área que compreende nove estados brasileiros e corresponde a quase 60% do território nacional.

Assim como em meses anteriores, Pará, Mato Grosso e Rondônia lideraram o ranking do desmatamento nesse começo de 2020.

Os municípios que apresentaram os mais altos índices de destruição de floresta foram Senador José Porfírio (PA), Lábrea (AM), Rorainópolis (RR), São Félix do Xingu (PA) e Altamira (PA).

A maior parte de perda florestal ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse (66%). O restante aconteceu em assentamentos (21%), Terras Indígenas (11%) e Unidades de Conservação (2%).

Todavia, a pior notícia é em relação à degradação da floresta, quando não se faz o corte raso, ou total, da mata. Em comparação a janeiro de 2019, houve um salto de mais de 1.300%. As florestas degradadas somaram 163 km2 em janeiro de 2020, enquanto que no mesmo período do ano passado esse número era de “apenas” 11 km2.

Mensalmente, o Imazon realiza o levantamento do desmatamento da Floresta Amazônica, através de dados gerados pela plataforma Google Earth Engine (EE), com a utilização de imagens de satélites e mapas digitais.

*O Imazon é um instituto nacional de pesquisa, sem fins lucrativos, composto por pesquisadores brasileiros, fundado em Belém há 29 anos. Através do sofisticado Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), a organização realiza, há mais de uma década, o trabalho de monitoramento e divulgação de dados sobre o desmatamento e degradação da Amazônia Legal, fornecendo mensalmente alertas independentes e transparentes para orientar mudanças de comportamento que resultem em reduções significativas da destruição das florestas em prol de um desenvolvimento sustentável

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Foto: Mayke Toscano/Secom-MT/Fotos Públicas

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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