Degelo da Antártica atinge nível alarmante: uma aceleração de 280% nas últimas quatro décadas

degelo na Antártica

Difícil começar 2019 com tantas más notícias. Embora, nem seja mais motivo de tanta surpresa. Um novo estudo divulgado na segunda (14/01), na publicação Proceedings of the National Academy of Sciences, analisou o derretimento da camada de gelo da Antártica entre 1979 e 2017.

Segundo os cientistas da Universidade da Califórnia, a massa de gelo perdida no continente, anualmente, é seis vezes maior do que a média de 40 anos atrás. Entre 1979 e 1989, a redução anual da camada era de 40 bilhões de toneladas, mas a partir de 2009, esse número saltou para 252 bilhões.

E os pesquisadores vão além. Alertam que o derretimento provocados pelas mudanças climáticas irá causar o aumento do nível do mar por muitas décadas.

“Isso é apenas a ponta do iceberg, por assim dizer”, disse o principal autor do estudo, Eric Rignot. “À medida que o manto de gelo da Antártica continua a derreter, nossa expectativa é que nos próximos séculos ocorra uma elevação de vários metros no nível do mar.”

Para chegar a essa – triste – previsão, os pesquisadores conduziram o que chamaram de “a avaliação mais completa e longa da massa de gelo antártico remanescente”. O estudo abrangeu quatro décadas e examinou 18 regiões, incluindo 176 bacias, bem como ilhas vizinhas.

O que mais preocupa os cientistas é que o degelo não acontece somente em uma área, mas em todo o continente.

Em junho do ano passado, outro estudo já apontava que algo errado estava em andamento no continente antártico. Publicado na revista Nature, nele um grupo de 84 cientistas de 44 instituições deschavou duas dezenas de séries de dados de satélite para produzir uma grande estimativa do estado de saúde do gelo da Antártica. As conclusões não foram nada boas: o continente branco perdeu quase 3 trilhões de toneladas de gelo entre 1992 e 2017. E o ritmo de perda triplicou nos últimos cinco anos.

Ou seja, ano após ano, estudo após estudo, as evidências científicas confirmam que a situação é realmente séria. O aquecimento global está causando o derretimento da Antártica e não serão somente os pinguins que sentirão o impacto disso. Apesar de acharmos que o Polo Sul está muito distante, todos nós sentiremos as consequências do aumento do nível do mar. Engana-se quem acha que o desastre ficará restrito ao extremo sul do planeta.

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Foto: Henrique Setim on unsplash

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em “Degelo da Antártica atinge nível alarmante: uma aceleração de 280% nas últimas quatro décadas

  • 17 de janeiro de 2019 em 9:33 AM
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    Tudo bem gente boa, ninguém precisa correr para se afogar antes da hora porque vai ter água pra todo mundo morrer tranquilo. Porem melhor se prevenir levando aquela garrafinha de agua doce
    para matar a sede e aquele sanduiche natureba para garantir as proteinas. Permitido acompanhante na hora da tsunami, pode ser seu cão e gato de estimação, se ele quiser ir mas nao vale levar o celular porque vai molhar e estragar ele todo5. A gente entende que você não via a hora de ir embora, ja que a Terra ficou pequena para tanta catastrofe mas nao precisa correr porque a fila é grande e mesmo porque se voce perder essa, vem outra muito maior logo depois. Sem estresse, amigão, dessa vez a gente nao escapa não, também tô indo embora, a gente se encontra lá.

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