Declínio da população de botos da Amazônia alarma cientistas

Declínio da população de botos da Amazônia alarma cientistas

Conhecidos como os “Embaixadores dos Rios da Amazônia”, os botos são excelentes indicadores da qualidade da água e do equilíbrio dos rios. No mundo todo, há sete espécies deste animal. Mas é no Brasil que se encontra a maior população de botos do planeta.

A região da Floresta Amazônica é habitat de duas espécies destes mamíferos aquáticos: o boto cor-de-rosa (Inia geoffrensis, também conhecido como boto-vermelho) e o tucuxi (Sotalia fluviatilis).

Mas um artigo recém-divulgado na publicação Plos One faz um alerta: nas últimas décadas, os golfinhos da Amazônia sofreram um declínio constante no número de seus indivíduos.

O estudo, feito por cientistas brasileiros, sob a liderança da professora Vera Silva, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) revela que, a cada dez anos, a população desses cetáceos é reduzida pela metade.

Até hoje, sabia-se muito pouco sobre estas espécies. Elas estão entre aquelas de difícil monitoramento. Há bem pouco tempo, a metodologia utilizada para a contagem dos botos envolvia cerca de dez pessoas, posicionadas na proa de um barco que, com os olhos fixos na água, registravam os animais avistados em um raio de 180º. Só mais recentemente eles começaram a ser monitorados através de um sistema mais moderno, com uso de satélites, conforme mostramos aqui.

Por causa dos dados insuficientes, as duas espécies brasileiras não são classificadas na Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), que avalia as condições de sobrevivência de centenas de animais e plantas no planeta.

Para chegar ao resultado obtido no estudo, os pesquisadores brasileiros analisaram dados das duas espécies durante 22 anos – de 1994 até 2017 -, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, no Amazonas.

Segundo os cientistas, a causa mais provável para a diminuição do número de botos na região é a pesca humana. Um dos fatores levantados é o aumento da população amazônica, e com ela, o volume da pesca. Os autores do artigo relatam que, em quase todas as casas ribeirinhas, há sempre uma rede de emalhar, aquela em que os peixes ficam presos e não conseguem escapar. Há vários flagrantes de redes bloqueando o caminho de entrada dos cetáceos em Mamirauá.

“Os resultados deste estudo são profundamente preocupantes e mostram taxas de declínio entre as mais graves de todas as medidas em uma população de cetáceos, desde os primeiros anos da caça à baleia moderna. Fica claro que, sem mudanças rápidas e eficazes nas práticas de pesca, as populações, tanto do boto quanto do tucuxi, continuarão em rápido declínio”, alertam os pesquisadores.

 

Foto: Kevin Schafer/Fundación Caja Mediterráneo/Creative Commons/Flickr

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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